'UE precisa de coragem', diz presidente da Itália

ROMA, 22 MAR (ANSA) - Às vésperas do aniversário de 60 anos dos Tratados de Roma, a Câmara dos Deputados da Itália realizou nesta quarta-feira (22) uma cerimônia solene em homenagem aos acordos que estabeleceram as bases da União Europeia.   

O evento contou com a presença dos principais nomes do Estado e do governo e de todos os partidos políticos representados no Parlamento, com exceção da ultranacionalista Liga Norte, que é contra a existência do bloco e cujos deputados organizaram uma manifestação simultânea do lado de fora da Casa.   

Em seu discurso, o presidente Sergio Mattarella celebrou a história da UE, mas cobrou uma "séria reflexão" sobre seu futuro. "A Europa que conhecemos nestes anos foi um instrumento essencial de estabilidade e garantia da paz, do crescimento econômico e do progresso, de afirmação de um modelo social até agora inigualável, feito de direitos e civilização", disse o chefe de Estado.   

Os Tratados de Roma foram assinados em 25 de março de 1957, na capital italiana, e representam um marco na história geopolítica do mundo. Um deles constituiu a Comunidade Europeia da Energia Atômica (Euratom), hoje autônoma. O outro formou a Comunidade Econômica Europeia (CEE), que na década de 1990 seria rebatizada como União Europeia.   

Os países fundadores da CEE são Itália, França, Alemanha Ocidental, Bélgica, Holanda e Luxemburgo, que buscavam soluções compartilhadas para um continente destroçado por duas guerras mundiais em menos de 50 anos e espremido entre as influências de Estados Unidos e União Soviética.   

Inicialmente, a Comunidade Europeia previa uma união aduaneira e uma política agrícola comuns, mas ao longo dos anos se tornou o principal bloco político do planeta, com 28 países - em breve 27 por causa da saída do Reino Unido - que se submetem a um poder Executivo e a um Parlamento supranacionais. Além disso, 19 dessas nações adotam uma moeda comum, o euro. Em 2012, a UE foi agraciada com o Nobel da Paz.   

No entanto, as políticas de austeridade do bloco e suas interferências nos Estados-membros têm dado combustível a um crescente sentimento eurocético nos países, muitos dos quais sofrem com uma longa crise econômica e uma emergência migratória sem precedentes nas últimas sete décadas.   

"A celebração desse aniversário pede uma reflexão sobre o percurso de integração europeia, cuja necessidade aumentou por causa da saída, pela primeira vez, de um país, o Reino Unido, membro desde 1973", ressaltou o presidente da Itália.   

Segundo Mattarella, a UE parece estar "curvada sobre si mesma" e "insegura" sobre quais caminhos seguir. "Como ontem, é preciso de uma visão de longo prazo, com capacidade de experimentar percursos corajosos", acrescentou o chefe de Estado, que foi bastante aplaudido na Câmara, até por deputados do partido antissistema Movimento 5 Estrelas (M5S), favorável ao bloco, mas não ao euro.   

"Feitos os europeus, agora é preciso fazer a Europa. São as pessoas, principalmente os jovens que já vivem na Europa, a garantia da irreversibilidade da integração", disse Mattarella.   

Segurança - As celebrações pelos 60 anos dos Tratados de Roma acontecerão no próximo sábado (25) e reunirão os principais líderes da UE na capital italiana. Também estão previstas diversas manifestações de movimentos eurocéticos, que preveem a participação de 25 mil pessoas.   

Por conta disso, a Polícia da Itália já anunciou um esquema de segurança reforçado na "cidade eterna", com vários bloqueios em seu centro histórico e cerca de 3 mil agentes envolvidos. Além disso, as autoridades da península aumentaram os controles em suas fronteiras, inclusive aeroportos, portos e estações de trem.   

No sábado, os líderes dos 27 países remanescentes assinarão a "Declaração de Roma", uma espécie de "caminho" a ser seguido pela União Europeia nos próximos anos. O texto já está pronto e deve reaproximar as nações do oeste e o grupo Viségrad (Hungria, República Tcheca, Eslováquia e Polônia), que vê com reservas o plano para uma UE com diferentes níveis de integração.   

Essa ideia foi defendida pelos quatro principais países do bloco (Alemanha, França, Itália e Espanha) e seria uma forma de combater o euroceticismo. (ANSA)
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