Transexual brasileira ganha permissão para ficar na Itália

BARI, 24 MAR (ANSA) - A transexual brasileira cuja detenção na área masculina do Centro de Identificação e Expulsão (CIE) da cidade italiana de Brindisi tem causado muita indignação e polêmica na Itália será liberada do centro em breve graças à decisão de um tribunal de Nápoles. À ANSA, Cathy Latorre, advogada do Movimento de Identidade Transexual (MIT) da Itália que assumiu o caso de Adriana, disse que o tribunal de Nápoles concedeu à brasileira uma permissão de estadia no país de seis meses, tempo no qual a mulher deverá ser ouvida pela Comissão Ministerial Territorial, que analisará o seu pedido de proteção humanitária. Adriana foi levada ao CIE, espaço de detenção de pessoas irregulares no país, em 21 de fevereiro, onde está até o momento. A brasileira mora na região da Púglia há 17 anos, no entanto, há três anos ela perdeu seu trabalho, e com ele a permissão de estadia do território italiano. Por isso, Adriana foi transferida ao centro e teve que dividir a cela com vários homens, sofrendo ameaças de morte e de violência diárias e não tendo o seu gênero reconhecido e respeitado.   

Agora, há três dias ela está sozinha em uma cela de alta segurança no mesmo espaço, que não conta com uma ala feminina. De acordo com Latorre, a decisão da libertação da brasileira pelo tribunal foi muito influenciada pela "atenção da opinião pública solicitada pelas condições desumanas da detenção de Adriana". Muitos travestis e transexuais brasileiros decidem se mudar para a Itália na esperança de recomeçar a vida em um país com menos preconceito e violência. No entanto, é comum que a imprensa italiana divulgue matérias que mostram que a recepção desses homens e mulheres nem sempre é das melhores. O país conta com vários casos de pessoas trans brasileiras que sofrem muito preconceito e chegam às vezes até a serem assassinadas. Além de Adriana, um dos casos que mais gerou polêmica nos últimos meses foi o da jogadora de vôlei transexual Tiffany Abreu, de 32 anos, que atua como oposta em um time feminino na Itália e que reabriu a discussão sobre pessoas trans e esporte no país. (ANSA)
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