Papa Francisco defende formação familiar baseada no amor

CIDADE DO VATICANO, 30 MAR (ANSA) - Em uma carta enviada para o 9º Encontro Mundial das Famílias, que ocorrerá em Dublin entre os dias 21 e 26 de agosto, o papa Francisco pediu para que as famílias se questionem se vivem "pelo amor". "Quero destacar o quanto é importante que as famílias se perguntem muitas vezes se vivem a partir do amor, para o amor e no amor. O que, concretamente, significa dar de si mesmo, perdoar-se, não perder a paciência, antecipar ao outro e respeitar-se", escreveu o líder católico.   

O documento foi enviado para o cardeal Kevin Farrell, prefeito do Dicastério para os Laicos, a Família e a Vida, e foi apresentado nesta quinta-feira (30) pelo porta-voz do Vaticano, Greg Burke. O tema do Encontro deste ano será "O Evangelho da Família: alegria para o mundo".   

Para Francisco, a família é "o sim de Deus à humanidade e seu empenho para o amor com todos, especialmente, os mais frágeis". "É o sim de Deus para a união entre homem e mulher, para a humanidade tão ferida, maltratada e dominada pela falta de amor.   

Só a partir do amor, a família pode manifestar, difundir e regenerar o amor de Deus no mundo. Sem o amor, não se pode viver como filhos de Deus, como cônjuges, pais e irmãos", destaca ainda na carta.   

O líder da Igreja ainda acrescentou que "a vida seria melhor" se as famílias no mundo todo "vivessem as três simples palavras: 'com licença', 'obrigado' e 'perdão'". "Precisamos de uma renovada humildade que cause o desejo de formar-se, de educar-se e ser educados, ajudar-se e ser ajudado, de acompanhar, discernir e integrar todos os homens de boa vontade", disse ainda.   

Ao falar da Igreja Católica, ele acrescentou que "sonha" com uma entidade "que saia e não seja autorreferencial, uma Igreja que não fique distante das feridas dos homens, uma Igreja misericordiosa que anuncie que o coração da revelação de Deus Amor é a misericórdia".   

Além de pedir o amor entre os familiares, o sucessor de Bento XVI convidou "toda a Igreja" a ler e assimilar o que está escrito na exortação apostólica "Amoris Laetitia" ("A alegria do amor", em tradução livre), divulgada no dia 8 de abril do ano passado. O documento foi escrito pelo próprio Jorge Mario Bergoglio com pontos debatidos em dois sínodos sobre o tema, um que reuniu religiosos e laicos e outro apenas com padres, bispos e cardeais.   

A exortação atualizou, entre outras coisas, a autorização para que padres pudessem conceder a eucaristia a pessoas divorciadas que se casaram novamente - fato que só poderia ser feito pelo alto escalão da Igreja - e que põe a mulher em um papel de destaque dentro da família católica. No texto, o Papa pede ainda que a Igreja Católica "cure feridas" de seu povo e não fique longe dos fiéis.   

Porém, a "Amoris laetitia" recebeu duras críticas de alas conservadoras da Igreja Católica. Bergoglio chegou a receber uma carta chamada de "Dubbia" ("Dúvidas") de cinco pontos sobre o texto em que deveria responder apenas "sim" ou "não". Entre os quatro cardeais que assinaram o documento, está o norte-americano Raymond Leo Burke, considerado o "maior rival" de Francisco em seu Pontificado por defender uma teologia mais dura, sem adaptar-se aos novos tempos. No entanto, o líder católico sequer respondeu a carta e disse que as críticas "não tiram meu sono". (ANSA)
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