Itália liga alerta contra protecionismo de Trump

ROMA, 31 MAR (ANSA) - O governo da Itália e diversas empresas do país ligaram o sinal de alerta por conta da notícia de que os Estados Unidos podem cobrar um imposto de até 100% do valor declarado sobre produtos da União Europeia.   

Segundo o diário "The Wall Street Journal", a medida seria uma retaliação contra um embargo na UE de carne bovina norte-americana tratada com hormônios e uma forma de combater o déficit comercial do país, que encerrou 2016 em mais de US$ 500 bilhões.   

Ainda de acordo com o jornal, produtos como a scooter "Vespa", da Piaggio, e água mineral San Pellegrino estariam na mira da Casa Branca, mas a preocupação também já chegou a outros segmentos. "Estamos bastante preocupados pelas escolhas políticas do presidente Donald Trump. Se os Estados Unidos impuserem impostos sobre o setor vinícola, para nós seria um grande problema, já que o mercado dos EUA representa 20% da nossa exportação", disse Giovanni Busi, presidente do Consorzio Vino Chianti, que reúne produtores de vinho da região de Chianti.   

Os Estados Unidos são o principal destino no exterior dos rótulos produzidos nas colinas dessa área da Toscana. A cada ano, são exportadas ao mercado norte-americano cerca de 12 milhões de garrafas, totalizando uma cifra de mais de 80 milhões de euros. "É oportuno que a Europa reforce sua unidade para ter um papel de primeiro plano no cenário político e econômico internacional", acrescentou Busi.   

Já a Confederação Nacional dos Cultivadores Diretos (Coldiretti) elaborou uma lista de 90 produtos agroalimentares que podem ser atingidos por um eventual novo regime tributário nos Estados Unidos. A relação inclui trufas, tomates, castanhas e chocolates, além da água San Pellegrino.   

Segundo a Coldiretti, esses itens somam 250 milhões de euros em exportações aos EUA, valor que corresponde quase em sua totalidade às águas minerais (147 milhões de euros) e aos tomates (78,9 milhões).   

Por sua vez, o presidente da Piaggio, Roberto Colaninno, minimizou as ameaças contra a Vespa e disse que a enviará ao mercado norte-americano a partir do Vietnã, onde a marca tem uma fábrica. "Não podemos guerrear contra a América, mas estou certo de que não seremos afetados. A Piaggio produz a Vespa também no Vietnã, e ainda não está claro se esses novos impostos atingirão marcas e códigos que identificam os produtos ou o país que os fabrica", afirmou o executivo ao jornal "Corriere della Sera".   

Colaninno acrescentou ainda que os EUA representam apenas 5% de seu faturamento. "Essa cruzada protecionista pode causar mais um dano de imagem do que financeiro. Provavelmente nos incluíram porque a Vespa é um símbolo, um nome conhecido no mundo todo", declarou.   

Da parte das instituições, os comentários sobre a possível taxação tentaram não superestimar algo que ainda está no campo dos rumores, mas deixaram evidente a preocupação que cerca Roma.   

"As consequências são muito periféricas, não é o início de uma guerra comercial que não faria bem a ninguém", disse o ministro do Desenvolvimento Econômico da Itália, Carlo Calenda.   

Para ele, qualquer embate comercial entre Estados Unidos e União Europeia seria "perigoso" para a economia global. Já o presidente do Parlamento Europeu, o italiano Antonio Tajani, afirmou esperar que Washington não promova uma "escalada" na tensão. "Espero que possamos chegar a um acordo", salientou.   

Nesta sexta-feira (31), Trump assinou dois decretos para combater o rombo na balança comercial do país. O primeiro deles cobra do governo a identificação, em um prazo de 90 dias, de "todas as formas de abuso e qualquer prática não recíproca" no comércio internacional.   

Já o segundo pede o estudo de medidas protecionistas contra produtos estrangeiros vendidos nos Estados Unidos por preços inferiores aos praticados em seus mercados internos, o chamado "dumping". (ANSA)
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