Após comunhão, Papa autoriza casamento de lefebvrianos

CIDADE DO VATICANO, 04 ABR (ANSA) - O papa Francisco autorizou os bispos católicos a reconhecerem casamentos celebrados pela Fraternidade Sacerdotal São Pio X, grupo ultraconservador fundado em 1970 pelo bispo francês Marcel Lefebvre (1905-1991), excomungado por ter se oposto às reformas aprovadas pelo Concílio Vaticano II.   

A decisão foi comunicada em uma carta enviada pela Pontifícia Comissão Ecclesia Dei às conferências episcopais e representa mais um avanço na superação do cisma entre os lefebvrianos e a Igreja Católica.   

Datado de 27 de março, o documento é assinado pelo presidente da comissão, cardeal Gerhard Ludwig Müller, e lembra aos bispos que há tempos ocorrem diversos encontros para devolver a fraternidade à "plena comunhão".   

"Nessa mesma linha pastoral, que pretende tranquilizar a consciência dos fiéis - ainda que a situação canônica da Fraternidade São Pio X continue sendo, por enquanto, objetivamente ilegítima -, o Santo Padre decidiu autorizar os bispos a concederem licenças para a celebração de matrimônios de fiéis que sigam a atividade pastoral da sociedade", diz a carta.   

No entanto, isso só será permitido em determinadas circunstâncias. Uma delas prevê que a cerimônia seja acompanhada por um padre da diocese em questão, que será o responsável por receber o consentimento dos noivos no altar. Na liturgia em latim usada pelos lefebvrianos, essa parte acontece logo no começo da missa, que depois será celebrada por um sacerdote da fraternidade.   

Caso não exista essa possibilidade, o bispo poderá conceder a faculdade de receber o consentimento do casal a um padre lefebvriano, que terá a obrigação de enviar a documentação do casamento à Cúria o mais rápido possível.   

"Este dicastério confia em sua colaboração com a convicção de que, com estas indicações, não apenas se poderá remover os escrúpulos de consciência de alguns fiéis unidos à fraternidade e a falta de garantia sobre a validade do matrimônio, mas também avançar rumo à plena regularização institucional", conclui o documento.   

As negociações para a reaproximação com os lefebvrianos começaram apenas em 2009, quando Bento XVI revogou a excomunhão de quatro bispos que haviam rompido com o Vaticano, mas os diálogos só foram retomados em setembro de 2014. Um ano antes, a organização chegou a criticar o papa Francisco por sua postura "moderna".   

Em 2016, o Vaticano já havia autorizado sacerdotes da fraternidade a confessarem fiéis. (ANSA)
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