Campinas recebe 1ª edição da Mostra de Cinema Italiano

SÃO PAULO, 05 ABR (ANSA) - Por Ana Ferraz. A cidade de Campinas, no interior de São Paulo, recebe a partir desta quinta-feira, dia 6, a primeira edição da Mostra de Cinema Italiano, que, até o próximo dia 13, exibirá 18 filmes do país da bota em vários locais do município paulista. Estreando na cidade, o evento terá como tema os jovens e a "gramática usada pelas novas gerações". Em entrevista à ANSA, o ator e produtor italiano Francesco Siciliano disse que foram escolhidos filmes "que falassem dos jovens, que os tivessem como protagonistas e que fossem, de alguma maneira, autores para se entender o novo modelo de cinema" na Itália. "Entendemos que a grande força desse festival pode ser a de endereçar sua atenção às novas gerações, à universidade e à relação educativa e formativa que o cinema tem. [Esta] é a maior possibilidade de manter em contato dois povos, duas culturas diferentes, mas no fundo não tão diversas assim: a italiana e a brasileira", afirmou Siciliano.   


Entre os destaques da mostra está o filme "Le Verità" ("As Verdades"), de Giuseppe Alessio Nuzzo, que fará sua estreia mundial em Campinas, e o longa "Il Racconto dei Racconti" ("O Conto dos Contos"), de Matteo Garrone, que, mesmo tendo sido filmado em inglês, trata da cultura italiana e é baseado na "tradição literária" do país.   


Além disso, outras obras muito esperadas no evento são "Lo Chiamavano Jeeg Robot" ("Meu Nome é Jeeg Robot"), de Gabriele Mainetti, "que é a história de uma fantasia científica imaginada em uma periferia romana", segundo o produtor italiano; "Smetto Quando Voglio" ("Paro Quando Quiser"), de Sydney Sibilia; e, sem dúvida, "Fuocoammare" ("Fogo no Mar"), de Gianfranco Rosi, que concorreu ao Oscar de melhor documentário e ganhou o Urso de Ouro no Festival de Berlim em 2016.   


Segundo o secretário de Cultura de Campinas, Ney Carrasco, a ideia da mostra surgiu da "vontade de reestabelecer o contato entre a cidade e a Itália". A escolha do município para sediar o evento se deu graças principalmente a seu sistema universitário, já que a ideia do festival era ser uma mostra artística, mas também acadêmica. Além disso, a influência da Itália na história do município também foi importante para a decisão. "Campinas é uma cidade muito italiana, ela foi uma das cidades mais importantes do ciclo cafeeiro, que foi o ciclo econômico que mais absorveu imigrantes italianos", comentou Carrasco.   


E por fim, o evento também será uma maneira de aumentar o intercâmbio cultural entre os dois países. "O intercâmbio cultural é a base da convivência atual. As dificuldades que as pessoas têm em aceitar quem não é igual a elas mesmas são a base do racismo que neste momento contamina o mundo. O meu país é um país que de repente se descobriu racista, a Europa se descobriu racista", concluiu Siciliano. Para conferir a programação completa da 1ª Mostra de Cinema Italiano de Campinas, incluindo filmes que serão exibidos, como o especial sobre o cineasta Elio Petri, e eventos acadêmicos e culturais paralelos, como uma mostra que reunirá dezenas de fotos de sets de filmagens e fotogramas das obras que serão apresentadas, basta acessar o site oficial. (ANSA)
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