Especial/Veja quem luta contra quem no conflito na Síria

SÃO PAULO, 07 ABR (ANSA) - Mais do que um sangrento conflito interno, a guerra civil na Síria, que já dura seis anos e contabiliza mais de 400 mil mortos, envolve interesses geopolíticos das maiores potências do planeta e atores importantes no Oriente Médio. Veja abaixo quem é quem no conflito no país árabe: Bashar al Assad - No poder desde 2000, o atual presidente da Síria é filho de Hafez al Assad, que comandou o país com mão de ferro entre 1971 e 2000. Assad é alauita, seita muçulmana que deriva da vertente xiita, mas não é conhecido pela religiosidade e sempre manteve um governo laico, embora repressivo.   

Em março de 2011, a falta de liberdade, o desemprego e a corrupção motivaram manifestações contra o presidente, que foram duramente sufocadas. Isso levou a uma rápida escalada na violência, e adversários do regime pegaram em armas. Rússia - Principal escudo de Assad no cenário internacional, a Rússia vê na guerra da Síria uma oportunidade de preencher o vácuo deixado pelos Estados Unidos e ampliar sua influência no Oriente Médio, fortalecendo também a imagem de Vladimir Putin como líder perante seus eleitores.   

Moscou já vetou diversas resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas contra o regime de Damasco e tem dado apoio aéreo às forças de Assad na luta contra rebeldes e grupos terroristas.   

Além disso, a Síria é geograficamente próxima à Rússia, que vê riscos para a influência do país, já cercado pela União Europeia no Velho Continente, no caso de uma eventual "ocidentalização" da nação árabe.   

A Síria também abriga a única base naval russa no Mediterrâneo, em Tartus. Outro ponto que preocupa o Kremlin é o elevado número de cidadãos das repúblicas muçulmanas da Chechênia e do Daguestão que se juntaram ao EI.   

Irã - No Oriente Médio, o principal aliado de Assad é o xiita Irã, que fornece a Damasco armas, recursos financeiros e apoio militar. Seu objetivo é evitar que milícias sunitas, incluindo os terroristas do EI, dominem o país e se contrapor às ricas monarquias dessa vertente do islã no Golfo Pérsico, como a Arábia Saudita, que apoia os rebeldes.   

Hezbollah - Também xiita, o grupo libanês Hezbollah é um antigo aliado do Partido Baath, que dá sustentação à família Assad, e teve papel crucial na retomada de Aleppo pelo regime, no fim do ano passado. Sua participação na guerra, assim como a de milícias iraquianas xiitas, se deve aos mesmos motivos do Irã.   

EUA - Com Barack Obama, os Estados Unidos declararam apoio aos rebeldes e pediram a queda de Assad. No entanto, Washington não se envolveu diretamente no conflito até 2014, quando passou a bombardear alvos do grupo jihadista Estado Islâmico. Ainda assim, o regime de Damasco não havia sido atacado até esta sexta-feira (7), quando o sucessor de Obama, Donald Trump, ordenou o lançamento de mísseis contra a base militar de Shayrat.   

Se durante a campanha o republicano pedira para o democrata não atacar a Síria, agora ele pretende passar uma imagem de força em um momento de desafios na política interna e marcar a presença dos Estados Unidos no Oriente Médio, reduzida durante os mandatos de Obama. O país lidera uma coalizão internacional contra o EI.   

Turquia - Membro da aliança militar comandada pelos EUA e de maioria sunita, a Turquia defende a queda de Assad e dá apoio a grupos rebeldes. Ancara também aproveita suas incursões na Síria para atacar milícias curdas, que combatem o EI, mas são consideradas terroristas pelo governo turco.   

Arábia Saudita - A nação mais rica do Golfo Pérsico fornece apoio declarado a rebeldes e já foi criticada por suas relações ambíguas com o Estado Islâmico. Riad ameaçou intervir militarmente para derrubar Assad e conta com o apoio das outras monarquias sunitas da região: Bahrein, Jordânia, Catar e Emirados Árabes Unidos.   

Curdos - Apoiados pesadamente pelos EUA e pela União Europeia, os curdos têm tido papel preponderante no combate ao EI no norte da Síria, principalmente na reconquista de Kobane. Embora seu grande objetivo seja derrotar o EI, as milícias dessa etnia podem se aproveitar do enfraquecimento de Assad para ampliar seu poder e fortalecer sua luta por autonomia. (ANSA)
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