Irã pede investigação internacional por ação dos EUA na Síria

MOSCOU E TEERÃ, 8 ABR (ANSA) - Principais aliados do governo sírio de Bashar al-Assad, os governos de Rússia e Irã voltaram a se manifestar contrários ao ataque ordenado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra uma base militar da Síria.   

O presidente do Irã, Hassan Rohani, pediu uma "investigação internacional para esclarecer o que está por trás do ataque recente dos Estados Unidos contra a Síria e a verdade sobre o uso e a proveniência das armas químicas usadas como pretexto".   

"A comissão de investigação não deve incluir pessoas desleais e os EUA não devem liderá-la. A questão do uso de armas químicas na Síria deve ser examinada por países neutros", disse ainda Rohani.   

Já o governo russo voltou a se manifestar por alguns de seus principais representantes. A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Maria Zakharova, afirmou à emissora "Rossiya 1", que a ação militar "não tem nada a ver com a política dos EUA no Oriente Médio" e que ela está ligada "às rivalidades entre as elites militares e políticas de Washington". Segundo ela, os dois círculos do governo Trump estão empenhados em uma "batalha por suas vidas".   

Já o vice-ministro das Relações Exteriores, Gennady Gatilov, disse à agência russa Interfax que o ataque da última quinta-feira (6) vai "incidir negativamente" sobre os processos de paz debatido em reuniões em Astana - com a presença de Rússia, Turquia e Irã - e em Genebra - com a presença dos países ocidentais e da ONU.   

"É um verdadeiro pecado que essa cooperação e os avanços estão efetivamente em risco. Esperamos poder ter discussões práticas sobre as opções sugeridas pelo enviado especial da ONU para a Síria, Staffan de Mistura, no curso dos próximos turnos das negociações", acrescentou Gatilov.   

Do outro lado da crise, o presidente Trump usou suas redes sociais para parabenizar "os nossos homens e mulheres das Forças Armadas por ter representado os Estados Unidos e o mundo muito bem no ataque à Síria". (ANSA)
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