Chechênia mantém 'campo de concentração' para torturar gays

BUDAPESTE, 12 ABR (ANSA) - A polícia da Chechênia foi acusada de prender homossexuais e manter um campo de concentração secreto para torturas e assassinatos. O caso, divulgado pelo jornal russo "Novaya Gazeta", repercutiu na Europa nesta quarta-feira (12), com autoridades políticas e ONG's de direitos humanos exigindo respostas às denúncia. De acordo com o jornal, mais de cem homens já teriam sido vítimas das prisões ilegais feitas pelos policias, somente por serem gays. O centro de detenção está localizado na cidade de Argun.   

A publicação apontou ao menos três assassinatos no centro de detenção, mas fontes locais afirmaram que o número pode ser "muito maior", isso porque ainda vigora na Chechênia a cultura do "crime de honra".   

ONG's locais afirmam que muitos homossexuais, depois de presos e torturados, são "devolvidos" para seus familiares para que a própria família os execute para "limpar" a imagem na sociedade.   

Em outros casos, as famílias são obrigadas a vender apartamentos, casas e bens para "pagar o resgate" dos homens presos.   

A perseguição aos gays teria começado em fevereiro no país, quando a polícia prendeu um homem que estava drogado e encontrou fotos e vídeos homossexuais em seu celular. Os policiais, então, começaram a caçada, deixando o telefone do detido ligado propositalmente e, a cada homem que o telefonava, os agentes saiam para prendê-lo.   

Testemunhas e ex-prisioneiros relataram torturas com corrente elétrica dentro do centro de detenção, além de agressões com bastões, canos de plástico e socos.   

A denúncia gerou polêmica na Europa. O presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados da Itália, Fabrizio Cicchitto, pediu que o governo italiano intervenha na situação e pressione a Rússia para interromper as práticas na Chechênia. "Naquela região, existe um problema mais geral de liberdade que atinge também os opositores aos regimes, os quais são tratados de maneira desumana", comentou. Mas os políticos chechenos, como o porta-voz do presidente Ramzan Kadyrov, Alvi Karimov, definiu a denúncia como "uma absoluta mentira" e alegou que não há gays no país. "Não é possível prender ou perseguir pessoas que simplesmente não existem na nossa república", disse o representante do líder checheno, ligado ao governo russo. "Se existissem pessoas assim na Chechênia, as forças de ordem não teriam problema nenhum, porque seriam os próprios familiares a mandá-los para aquele lugar sem volta", completou.   

A Chechênia é país da região do cáucaso russo e palco de instabilidades políticas. (ANSA)
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