Restaurante em prisão na Itália oferece menu feito por presos

Por Luciana Ribeiro SÃO PAULO, 12 ABR (ANSA) - Condenados por assassinato, latrocínio e até mesmo envolvimento com a máfia, os detentos da prisão Fortezza Medicea, em Volterra, no noroeste da Itália, também são conhecidos por comandarem um restaurante inusitado localizado dentro da penitenciária.   


O projeto "Le Cene Galeotte" nasceu em 2005 a partir de uma iniciativa da diretora da "Casa de Reclusão de Volterra", a italiana Maria Grazia Giampiccolo, em colaboração com o Ministério da Justiça da Itália. A ideia é oferecer a cerca de 30 detentos um novo "caminho" para a sua reintegração na sociedade.   


A iniciativa visa a oferecer um curso de gastronomia para os detentos, considerados futuros profissionais da indústria hoteleira. O restaurante abre apenas uma vez por mês e na noite do jantar, os prisioneiros acompanhados de famosos chefs italianos preparam, juntos, o cardápio que será servido para os clientes.   


O jantar, que entrou para o calendário da boa gastronomia italiana, acontece dentro do presídio, na antiga capela do local. No pátio interno, a partir das 19h30, os clientes já podem saborear um aperitivo. No cardápio, há algumas especialidades da culinária local como bacalhau com grão de bico, coelho, carne ensopada ao vinho. O jantar completo custa 35 euros por pessoa. Com luzes de velas, garçons rigorosamente uniformizados e homens especializados em vinhos italianos, o jantar é servido pontualmente às 20h30. No último dia 24 de março, a refeição foi coordenada pelo chef do restaurante do hotel "Villa Cora" de Florença, Alessandro Liberatore. Em entrevista à ANSA, o italiano contou que o "menu é decidido com base no que eu vou trabalhar na cozinha. Avalio se o ambiente é cômodo, e assim decido um menu prático", disse.   


Na cozinha da penitenciária, ele é basicamente um professor.   


Acompanhado de dois ajudantes, o chef executivo prepara tudo, "antipasto, sobremesa, e ensino como se faz o menu, as técnicas que usarei para fazer esse tipo de prato. É uma espécie de escola da minha parte para os garotos", ressaltou.   


Para Liberatore, a maior dificuldade de cozinhar na Fortalezza de Volterra é "poder cozinhar e repor, mantendo a comida sempre quente" já que "a cozinha fica a 60 ou 70 metros da sala" em que os pratos são servidos. Todos os alimentos preparados e as bebidas usadas pelo projeto são recebidos por meio de doação. Por sua vez, a renda arrecadada é destinada a uma organização beneficente.   


Para visitar o famoso restaurante é preciso fazer uma reserva com alguns dias de antecedência na Agenzie Toscana Turismo ou acessar o site www.cenegaleotte.it. No entanto, os dados dos clientes passam por uma verificação de antecedentes criminais antes da confirmação da visita.   


O próximo jantar preparado pelos prisioneiros acontecerá no dia 21 de abril e terá a chef Beatrice Segoni, do restaurante Konnubio, de Florença, como responsável. A Fortalezza de Volterra foi construída no fim da Idade Média como um cárcere político. Na última década, a penitenciária se tornou uma referência importante para os italianos e estrangeiros na recuperação de prisioneiros que foram condenados a longas penas. (ANSA)
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