Super-bomba matou 82 membros do EI, diz Afeganistão

WASHINGTON, 14 ABR (ANSA) - A super-bomba lançada ontem (13) pelos Estados Unidos contra o Afeganistão teria abatido 82 militantes do Estado Islâmico (EI), informou o porta-voz do governo afegão. No entanto, o grupo extremista negou nas redes sociais que algum jihadista tenha sido morto pelo explosivo. Batizado de "mãe de todas as bombas" ("Massive Ordnance Air Blast"), o dispositivo tinha quase 11 toneladas e nunca havia sido usado em uma situação real, apenas em testes militares. Ele foi lançado de um C130 das forças militares norte-americanas contra a província de Nangarhar, onde existe uma rede de túneis usada por terroristas, de acordo com a Casa Branca. O porta-voz do governo de Nangarhar, Atuallah Khogyani, disse que 82 extremistas do EI morreram na ação. Antes, as autoridades haviam falado em 36. O porta-voz do Exército afegão, Jawid Saleem, afirmou que havia entre 40 e 70 militantes armados do EI dentro dos túneis no momento da explosão, que ocorreu na noite de ontem pelo horário local. Apoiando os EUA, os governos do Afeganistão e da província de Nangarhar disseram que a Moab "era necessária". "Em três operações contra o EI, as forças afegãs não conseguiram destruir aquela base".   

Mas a agência independente norte-americana de contraterrorismo SITE, que monitora atividades extremistas nas redes sociais, disse que a super-bomba não matou nenhum jihadista do Estado Islâmico. Foi a própria agência do EI, a Amaq, a anunciar a informação nesta sexta-feira (14) em canais terroristas.   

O distrito de Achin, na província de Nangahar, foi o primeiro lugar do Afeganistão a receber militantes do EI logo após a criação de parte do "califado islâmico" de Abu Bakr al-Baghdadi, na região de Khorasan (chamada de "Grande Coração", que compreende o Afeganistão e o Paquistão. Os jihadistas chegaram à zona em janeiro de 2015. Habitado por tribos pashtun, o distrito circundado por montanhas é um reduto de combatentes mujahideen desde a época da ocupação soviética do Afeganistão. Em 2010, as Nações Unidas disseram que Achin era o principal produtor de ópio do oriente afegão devido à presença de 130 vilarejos ativos de cultivo. Mas, neste ano de 2017, a Rede Anticorrupção Afegã (AACN) revelou que o Estado Islâmico se apropriou de áreas de exploração de minério, as quais são formadas por grutas e túneis que passam pelas montanhas de toda a região. Foi contra essa rede de túneis que os EUA lançaram a Moab. O ex-presidente afegão Hamid Karzai condenou a ação norte-americana e acusou o governo de Donald Trump de "testar armas" no país. "Esta não é uma guerra contra o terrorismo, mas sim, a utilização do nosso país de maneira desumana e brutal como zona de testes de novas e perigosas armas. Cabe a nós, afegãos, parar os EUA", disse em um post no Twitter.   

O grupo extremista Talibã, que atua também no Afeganistão, criticou o lançamento da bomba. Em um comunicado assinado por Zabihullah Mujahid, porta-voz da organização no país, disse que é "um ataque cometido por criminais internacionais" e que "de nenhuma maneira há justificativa para um uso deste tipo de arma". Nos últimos vezes, vários talibãs entraram em confronto com jihadistas do Estado Islâmico na região.   

Rússia - Vista também como uma tentativa dos EUA de demonstrar força militar contra seus inimigos ideológicos, a Moab, porém, não intimidou os russos. O jornal "RT Russia" usou sua conta no Twitter para dizer a bomba não-nuclear mais potente da atualidade, na verdade, pertence a Moscou. "A 'mãe de todas as bombas' não assusta os russos. Nós temos uma mais potente ainda. E os americanos deveriam ter muito medo do nosso 'pai de todas as bombas'", escreveu. De acordo com o jornal "Moscow Times", o explosivo russo teria 44 toneladas, ou seja, quatro vezes maior que a norte-americana explodida ontem, com 11 toneladas. Ela teria sido projetada em 2007. (ANSA)
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