Prefeita de Lampedusa vence prêmio da Unesco pela paz

PARIS, 19 ABR (ANSA) - A prefeita da cidade italiana de Lampedusa, Giusi Nicolini, e a ONG francesa SOS Méditerranée conquistaram nesta quarta-feira (19) o prêmio Félix Houphouët-Boigny, atribuído pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) a pessoas ou instituições que tenham contribuído para a promoção da paz.   

Segundo a entidade, Nicolini e a ONG merecem a honraria por terem salvado a vida de milhares de solicitantes de refúgio e deslocados externos no mar Mediterrâneo e por tê-los "acolhido com dignidade".   

A cidade de Lampedusa, que fica na ilha homônima, é uma das principais portas de entrada para imigrantes na Europa por estar mais perto da África do que da Itália continental. "Desde quando foi eleita prefeita, em 2012, Nicolini se distinguiu por sua grande humanidade e seu empenho constante na gestão da crise dos refugiados e de sua integração após a chegada de milhares de refugiados à costa de Lampedusa e da Itália", justificou a Unesco.   

Já a SOS Méditerranée, em parceria com a ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF), tem atuado ativamente no resgate de deslocados externos no Mediterrâneo, em coordenação com a Guarda Costeira italiana.   

O prêmio Félix Houphouët-Boigny foi criado em 1989 e já homenageou personalidades como Nelson Mandela, Shimon Peres, Yasser Arafat, François Hollande e até o ex-presidente do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva, agraciado por suas "ações em nome da paz, do diálogo, da democracia, da justiça social e da igualdade de direitos".   

Prefeita de uma cidade de apenas 6,5 mil habitantes, Nicolini é uma das políticas mais reconhecidas da Itália por causa de seu ativismo na crise migratória e já foi até levada pelo então primeiro-ministro Matteo Renzi para um jantar de gala com Barack Obama na Casa Branca, em outubro passado.   

"Esse prêmio é uma grande honra para mim, para Lampedusa e para os lampedusanos. Mas é sobretudo um tributo à memória das tantas vítimas do tráfico de seres humanos no Mediterrâneo. Em um momento em que alguns pedem o fechamento das fronteiras e levantam muros, falando de uma invasão que não existe, sermos premiados com essa motivação nos faz sonhar com uma Europa solidária, onde a humanidade não tenha desaparecido", comentou a prefeita.   

Já o atual premier do país, Paolo Gentiloni, escreveu no Twitter que Nicolini "há anos está empenhada no lado certo em Lampedusa". (ANSA)
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