Atentado domina último dia de campanha eleitoral na França

PARIS, 21 ABR (ANSA) - Apesar de terem suspendido seus comícios nesta sexta-feira (21), os principais candidatos à Presidência da França usaram o ataque terrorista na Champs-Élysées, em Paris, para tentar atrair eleitores no último dia de campanha no país.   

Faltando menos de 48 horas para a abertura das urnas, o atentado dominou as declarações e entrevistas dos postulantes ao Palácio do Eliseu e também daqueles que acompanham a disputa do exterior, a começar pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.   

À agência "Associated Press", o republicano disse que o ataque "provavelmente" ajudará a ultranacionalista Marine Le Pen, da Frente Nacional, que está em segundo lugar nas pesquisas e defende o fechamento das fronteiras e um controle mais rígido na entrada de imigrantes.   

Segundo Trump, o clima de comoção gerado pelo atentado tende a beneficiar aquela que tem a posição "mais dura" na questão migratória. Mais cedo, o presidente já havia escrito no Twitter que o tiroteio teria "grandes consequências" nas eleições.   

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Alemanha, Martin Schäfer, seguiu pela mesma linha e declarou que a ação terrorista deve interferir na votação de domingo, "mas ainda não se sabe de que modo".   

Em visita ao Canadá, o primeiro-ministro da Itália, Paolo Gentiloni, disse torcer para que as eleições não sofram o impacto do ataque na Champs-Élysées, mas reconheceu que esse é o objetivo dos terroristas - antes do tiroteio, a Polícia da França já havia prendido dois suspeitos de planejarem atentados durante a campanha.   

Candidatos - Em uma declaração lida de seu comitê, Le Pen pediu "solenemente" para o presidente François Hollande fechar as fronteiras do país, embora o autor do ataque em Paris tenha sido identificado como Karim Cheurfi, um cidadão francês de 39 anos.   

"A esse presidente notoriamente ineficaz, a esse governo efêmero, marcado pela inação, como todos os governos de direita e esquerda dos últimos 10 anos, peço um último suspiro antes de deixarem o poder, lhes peço solenemente para ordenarem a retomada efetiva de nossas fronteiras", declarou.   

Além disso, a ultranacionalista propôs a contratação de 15 mil policiais e o "uso efetivo" da capacidade militar do país "contra todos os grupos terroristas". A resposta não demorou a chegar e partiu do primeiro-ministro Bernard Cazeneuve, que acusou Le Pen de instrumentalizar o ataque, "sem vergonha e sem medo".   

O premier também mirou no candidato conservador François Fillon (Os Republicanos), que havia prometido ter "punho de ferro" contra o extremismo. "Certos postulantes escolheram o caminho do medo", acrescentou.   

Já o líder nas pesquisas, o centrista Emmanuel Macron (Em Marcha!), afirmou que está "pronto para proteger os franceses" e prometeu instalar uma "força-tarefa" para combater o grupo jihadista Estado Islâmico (EI). Ele também disse que contratará 10 mil policiais durante os próximos cinco anos.   

"Eu sei que os franceses não têm medo. Eu sei, caros cidadãos, que vocês aguentarão. Eu sei que nós manteremos nossa união", declarou Macron em um discurso à nação. O único dos quatro principais candidatos que fez comício nesta sexta-feira foi o esquerdista Jean-Luc Mélenchon (França Insubmissa).   

O evento contou com a participação do líder do partido antissistema espanhol Podemos, Pablo Iglesias, que afirmou que a França não precisa de "medo e marketing". No entanto, os discursos passaram ao largo do terrorismo e focaram na "força do povo" em defesa da "democracia".   

Uma pesquisa realizada nesta sexta-feira (21) pelo instituto Odoxa, no calor da comoção pelo atentado na Champs-Élysées, mostra Macron na liderança, com 24,5% dos votos, logo à frente de Le Pen, que tem 23%. Já Fillon e Mélenchon aparecem com 19% cada um.   

Os números são praticamente iguais (Fillon ganhou meio ponto percentual) aos da última sondagem feita pelo Odoxa, entre 12 e 13 de abril, o que indica que o ataque ainda não se refletiu no ânimo do eleitorado. No entanto, diversos levantamentos apontam que a parcela de indecisos chega a 30%.   

Ao todo, serão convocados às urnas mais de 45 milhões de eleitores, que poderão votar entre 8h e 19h (no horário local), com exceção das grandes cidades, onde as eleições irão até às 20h, quando devem sair as primeiras projeções. (ANSA)
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