Alitalia aprova convocação de comissário do governo

FIUMICINO, 2 MAI (ANSA) - O conselho de administração da Alitalia aprovou por unanimidade nesta terça-feira (2) o procedimento de convocação de um comissário do governo para gerir a empresa conforme previsto pela lei italiana.   

A decisão foi tomada após o conselho ter "constatado a gravidade da situação econômica, patrimonial e financeira da sociedade, da ausência do apoio dos sócios e da impraticabilidade, em curto prazo, de soluções alternativas".   

"Os sócios haviam condicionado a disponibilidade de patrimonialização e o refinanciamento a um acordo com as organizações sindicais, que não ocorreu por conta do êxito do referendo entre os funcionários", acrescentou a nota.   

A medida segue após a decisão de quase 70% dos funcionários terem recusado em um plebiscito um pré-acordo entre a diretoria e sindicatos para salvar a maior companhia aérea da Itália. O pacto rejeitado previa a demissão de 980 funcionários em troca de um aumento de capital de dois bilhões de euros financiado pelos sócios e credores do grupo.   

Após a rejeição, o presidente da Alitalia, Luca Cordero di Montezemolo, no último dia 25 de abril, comunicou a Entidade Nacional para a Aviação Civil (Enac) da Itália a abertura dos procedimentos para nomear um comissário do governo. Com a formalização do comissariamento, o pedido será enviado ao Ministério do Desenvolvimento Econômico, que deverá ser aceito pela entidade, e segue para o Tribunal territorial competente - neste caso, o de Civitavecchia -, que gerirá o estado de insolvência. Agora, a Alitalia corre um sério risco de decretar falência.   

A assembleia dos acionistas ainda informou que "tomou a decisão com grande lamento pelo êxito do referendo entre os próprios funcionários, que de fato, excluíram a atuação da retomada e da reestruturação da empresa".   

Apesar da crise, o conselho informou que todos os voos e as operações da companhia aérea não sofrerão nenhuma modificação e continuarão normalmente segundo a programação prevista. Crise - Ex-companhia aérea de bandeira, a Alitalia foi privatizada nas últimas décadas e é comandada atualmente pela holding Compagnia Aerea Italiana (CAI), que detém 51% de seu capital, e pela Etihad, dona dos 49% restantes. A segunda principal acionista da CAI é a empresa pública de correios Poste Italiane, com quase 19,48% de participação na holding, atrás apenas do banco privado Intesa Sanpaolo (20,59%).   

A estatal entrou na operação da Alitalia em 2014, como parte de uma operação de resgate. Uma eventual quebra poderia ter repercussões negativas sobre o governo italiano, que ainda luta para tirar o país da crise e para reduzir seus elevados índices de desemprego, principalmente entre os jovens. Em 2008, a Alitalia esteve para ser vendida para o grupo franco-holandês Air France-KLM, mas a operação foi bloqueada pelo então primeiro-ministro Silvio Berlusconi, que reuniu um pool de empresas italianas (a CAI) para comprá-la. Apesar disso, a CAI tinha como parceira a própria Air France, que controlava 25% da Alitalia. Contudo, nos anos seguintes, as firmas em questão não foram capazes de realizar os investimentos para levantar a companhia aérea. Entre 2013 e 2014, a Alitalia ficou à beira da falência, porém foi salva por uma injeção de capital da Etihad, que passou a ter 49% de suas ações e prometeu recuperá-la. No entanto, a empresa italiana sofreu prejuízo de 400 milhões de euros em 2016, um resultado que é fruto de sua estratégia de apostar nas rotas de curta e média distância - menos lucrativas -, deixando de lado os trechos longos. Além disso, a Alitalia não possui alianças com nenhuma outra grande companhia aérea europeia, o que dificulta a competição internacional contra grupos como Air France-KLM e Lufthansa. (ANSA)
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