Merkel e Putin mantém posturas opostas sobre crise ucraniana

MOSCOU, 2 MAI (ANSA) - O presidente da Rússia, Vladimir Putin, recebeu nesta terça-feira (2) a chanceler alemã, Angela Merkel, na cidade de Sóchi, para debater as relações bilaterais e as crises na Ucrânia e na Síria. Essa é a primeira visita da líder à Rússia em mais de dois anos.   

Em uma entrevista coletiva após o encontro privado, Merkel ressaltou a importância do governo russo como um grande "parceiro" no grupo do G20, mas destacou que as sanções econômicas contra o país continuarão enquanto a situação na Ucrânia não for normalizada.   

"Queria que existissem as condições para tirar as sanções, que passam pela validação dos acordos de Minsk", disse Merkel que ressaltou que o acordo foi "muito difícil" de ser fechado e que "nós temos opiniões diferentes sobre as causas dos conflitos".   

O conflito ucraniano, iniciado no fim de 2013, é um dos principais pontos de afastamento entre Merkel e Putin. Em lados opostos, a chanceler acusa o governo russo de apoiar os separatistas, inclusive com a anexação do território da Crimeia à Rússia, e que por causa disso, o país precisa sofrer com sanções econômicas - aplicadas pela União Europeia e pelos Estados Unidos.   

Já Putin sempre negou seu envolvimento ou "patrocínio" para os grupos separatistas e acusa o próprio governo de Kiev de ser o responsável pela guerra civil local.   

O envolvimento russo na crise na Ucrânia causou, além de problemas bilaterais, o afastamento do governo russo da reunião do então G8, o grupo com alguns dos países mais ricos do mundo.   

- Síria e Chechênia: Entre os temas debatidos na reunião entre Merkel e Putin, a crise síria também esteve na pauta. Os dois governos também estão em lados opostos na guerra civil - enquanto a Rússia apoia o governo de Bashar al-Assad, a Alemanha está na coalizão liderada pelos Estados Unidos e classifica Assad como ditador.   

Questionado sobre o tema, o presidente destacou que seu governo "condena o uso de armas químicas em Idlib" e ressaltou que "os responsáveis serão encontrados e condenados após uma investigação aprofundada".   

Enquanto a coalizão acusa Assad de fazer o ataque químico do dia 4 de abril, que matou mais de 80 pessoas, Putin acusa os rebeldes pelo ato.   

"A solução para a crise síria só pode ser pacífica sob o comando das Nações Unidas", acrescentou ainda sobre o que pensa das negociações de paz.   

Outro tema abordados pelos dois líderes foi a denúncia de que presídios na Chechênia tinham virado "campos de concentração de homossexuais".   

"Eu pedi para o presidente Putin usar sua influência para proteger os direitos das minorias [...] e proteger os direitos dos gays na Chechênia", destacou a chanceler, que classificou como positiva a atitude dos dois governos de "tentar encontrar soluções" para problemas locais e internacionais.   

- Eleições norte-americanas: Putin ainda foi questionado sobre as acusações dos Estados Unidos de que seu governo "atacou" com hackers as eleições norte-americanas e beneficiou a vitória de Donald Trump. O mandatário ressaltou que isso não passam de "simples rumores" e que nunca fez nada de ilegal nesta questão. (ANSA)
Veja mais notícias, fotos e vídeos em www.ansabrasil.com.br.


Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos