Tom agressivo marca debate entre Macron e Le Pen

PARIS, 03 MAI (ANSA) - Os candidatos Emmanuel Macron e Marine Le Pen fizeram nesta quarta-feira (3) o primeiro e único debate do segundo turno das eleições presidenciais na França, um confronto marcado pelo tom agressivo e por troca de acusações.   

O embate televisivo aconteceu a quatro dias da votação do próximo domingo (7), que definirá o próximo chefe de Estado de uma das maiores potências militares e econômicas do planeta.   

Atrás nas pesquisas, Le Pen foi a responsável por abrir as hostilidades, mas Macron logo percebeu que não era o caso de usar a moderação.   

"Você tem a frieza dos banqueiros de negócios. É o candidato da globalização selvagem, da 'uberização', da precariedade do trabalho, mas com um sorriso de passaporte", atacou a postulante do partido ultranacionalista Frente Nacional (FN), apelando ao passado de seu adversário como executivo do banco de investimentos Rothschild.   

O centrista do movimento Em Marcha! não deixou por menos e acusou Le Pen de ser derrotista. "Veremos se os franceses querem seu espírito de derrota frente à globalização, à luta contra o terrorismo, ou nosso espírito de conquista", afirmou, acrescentando que a rival é "herdeira de um sistema que prospera sobre a raiva" dos cidadãos.   

A candidata herdou o capital político de seu pai, Jean-Marie Le Pen, fundador da FN e derrotado no segundo turno das eleições presidenciais de 2002 por Jacques Chirac. Sua popularidade explodiu nos últimos anos, e não apenas por causa da crise migratória, mas também pela incapacidade do governo socialista de François Hollande, do qual Macron foi ministro das Finanças (2014-2016), em lidar com os desafios econômicos do país.   

"Você é um candidato pilotado pelo senhor Hollande. Eu sou a candidata do povo, da nação, da tutela dos postos de trabalho, da segurança, das fronteiras, da proteção contra o fundamentalismo islâmico", atacou a ultranacionalista. Já o centrista rebateu que a estratégia da adversária é "dizer muitas mentiras".   

Terrorismo e euro - Como não poderia deixar de ser, a ameaça terrorista contra a França e as relações do país com a União Europeia dominaram boa parte do debate e motivaram os episódios de maior tensão entre os presidenciáveis.   

Em determinado momento, o europeísta Macron afirmou ser o candidato de uma "Europa que protege", irritando Le Pen. "Desde quando o euro protege a Europa? De qualquer maneira, a França será governada por uma mulher: eu ou a senhora [Angela] Merkel", respondeu a postulante da Frente Nacional.   

Seu programa eleitoral prevê o retorno do país ao franco e a convocação de um plebiscito sobre a permanência na União Europeia. Já Macron defende o fortalecimento das instituições de Bruxelas.   

Na esfera do combate ao terrorismo, o centrista acusou sua oponente de "cair na armadilha" dos extremistas e querer "levar a França a uma a guerra civil". "Fecharei as fronteiras imediatamente. É preciso expulsar de imediato os marcados com o 'S' [letra que indica indivíduos radicalizados com risco de passarem à ação]", respondeu Le Pen.   

No primeiro turno, em 23 de abril, Macron teve 24,01% dos votos, contra 21,30% da ultranacionalista. As sondagens para a votação do próximo domingo são praticamente unânimes em apontar um placar de 60% a 40% para o centrista, diferença que se manteve estável ao longo das últimas semanas. (ANSA)
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