Papa recebe líder opositora e retoma relações com Myanmar

CIDADE DO VATICANO, 4 MAI (ANSA) - A ativista, Nobel da Paz e chanceler de Myanmar, Aung San Suu Kyi, foi recebida nesta quinta-feira (4) pelo papa Francisco, no Vaticano, em um encontro que marcou a retomada das relações bilaterais entra a Santa Sé e o país asiático, onde a democracia foi instalada recentemente.   

"A Santa Sé a República de Myanmar, desejando promover os laços de amizade mútua, decidiram em comum acordo estabelecer as relações diplomáticas em nível de nunciatura apostólica da parte da Santa Sé e de embaixada da parte de Myanmar", disse um comunicado do Vaticano. Até o momento, o Vaticano mantinha apenas um delegado apostólico no país. A retomada das relações comprova a preocupação do papa Francisco com a Ásia, especialmente com a situação de cristãos, que costumam ser minorias religiosas na região.   

A Igreja Católica atravessou dificuldades em Myanmar sob o regime do general Ne Win, que em 1966 decretou a expulsão de todos os missionários estrangeiros. O encontro entre Aung San Suu Kyi e o Papa durou exatos 23 minutos.A Nobel da Paz de 1991 é também ministra das Relações Exteriores de Myanmar e conselheira de Estado no gabinete do leal Htin Kyaw, eleito em 2016. Ativista democrática, Aung San Suu Kyi viveu 15 anos em prisão domiciliar, segregada pelo regime ditatorial que governou Myanmar desde 1962.   

Durante a eleição geral de 1990, a LND, partido liderado por Suu Kyi, obteve 59% dos votos em todo o país, conquistando 81% dos assentos no Parlamento - o que deveria fazer dela a primeira-ministra. No entanto, pouco antes das eleições, ela foi detida e colocada em prisão domiciliar.   

Graças à pressão internacional, Myanmar iniciou uma transição à democracia em 2010 com a gestão de Thein Sein.   

Aung San Suu Kyi está na Itália para uma conferência sobre igualdade de gênero e desenvolvimento sustentável, organizada pelo Parlamento italiano. Logo após o encontro com o Papa, a ativista foi recebida no Palácio Chigi, em Roma, pelo primeiro-ministro italiano, Paolo Gentiloni. "Ela foi um símbolo de como a liderança feminina pode garantir a saída do autoritarismo e um caminho de reconciliação nacional em condições extremamente difíceis", disse o premier. (ANSA)
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