'Itália salvou a honra da Europa', diz líder da UE

FLORENÇA, 05 MAI (ANSA) - O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, elogiou nesta sexta-feira (5) a postura da Itália na crise migratória no Mediterrâneo e afirmou que o bloco deve ser mais "solidário" com o país e com a Grécia, que estão na linha de frente da emergência.   

As declarações foram dadas durante uma conferência do Instituto Universitário Europeu em Florença, na região italiana da Toscana, durante a qual Juncker também criticou as nações que se recusam a receber solicitantes de refúgio no âmbito do programa de realocação da UE.   

"Desde o primeiro dia, a Itália fez tudo o que podia fazer sobre a crise migratória. A Itália salvou e salva a honra da Europa", afirmou o chefe do poder Executivo da União Europeia, que no passado já havia se envolvido em bate-boca com o ex-primeiro-ministro Matteo Renzi sobre as políticas de austeridade de Bruxelas.   

"Devemos ser mais solidários com a Itália e a Grécia, que não são responsáveis pela sua posição geográfica. Gostaria que um certo número de Estados-membros entendessem: trata-se de colocar em prática, e traduzir em lei, a ideia que temos da Europa e do homem. Não se pode dizer 'nós não deixaremos entrar homens e mulheres de cor [sic] e que não são católicos'. Isso não pertence à verdadeira natureza da Europa", acrescentou.   

O recado era endereçado aos países do grupo Viségrad (Polônia, Hungria, República Tcheca e Eslováquia), principal barreira às políticas migratórias adotadas pelo bloco. A Itália já ameaçou até obstruir repasses financeiros a essas nações caso elas continuem se recusando a receber solicitantes de refúgio.   

"Obrigado Jean-Claude por aquilo que você disse sobre a Itália ter defendido a honra da União. Mas se é uma questão de honra, ela deve ser defendida por todos", declarou o primeiro-ministro Paolo Gentiloni, que discursou em Florença pouco depois do presidente da Comissão Europeia.   

Entre 1º de janeiro e 23 de abril de 2017, mais de 36,8 mil deslocados externos desembarcaram em solo italiano pelo mar Mediterrâneo, contra 25,3 mil no mesmo período do ano passado, um crescimento de 45%, segundo dados da Organização Internacional para as Migrações (OIM). (ANSA)
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