Empresas italianas sofrem com crise na Venezuela

ROMA, 09 MAI (ANSA) - Algumas empresas paralisaram totalmente suas atividades enquanto esperam por tempos melhores. Outras foram embora, e algumas ainda resistem e continuam operando, apesar das crescentes dificuldades.   

A cada vez mais grave crise política que assola a Venezuela, às voltas com escassez de alimentos e remédios, colocou mais dificuldades para as companhias estrangeiras, incluindo as italianas, que já sofriam com os problemas econômicos do país e as decisões do governo.   

Atingidas por uma recessão interminável, uma galopante inflação de três dígitos, pelas restrições monetárias e até pelos altos índices de criminalidade, as empresas de fora ainda enfrentam o espectro da nacionalização por parte do regime chavista, algo que já afetou colossos como ExxonMobil e GM.   

O comércio bilateral entre Itália e Venezuela, país que já abrigou uma das mais prósperas comunidades italianas na América Latina, vem caindo ano a ano. Após o fim da bonança petrolífera dos US$ 100 por barril, as importações de itens do país europeu despencaram 47% em 2016, chegando a 229 milhões de euros, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (Istat) - metade dessa cifra corresponde a maquinários para refino e extração de petróleo.   

Já as exportações à Itália sofreram uma queda de 36,6% e atingiram a quantia de 85 milhões de euros no ano passado. Entre as grandes empresas italianas, a petrolífera ENI, que opera com a estatal venezuelana PDVSA, é a única que parece em uma posição de relativa tranquilidade.   

Sem sofrer com problemas cambiais por trabalhar com dólar, a ENI produz cerca de 58 mil barris por dia nos campos offshore de Corocoro e Perla. Já o de Junin 5 foi fechado, mas por causa de um corte na produção por parte da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).   

Automóveis e construção - Se o governo de Nicolás Maduro já confiscou uma fábrica da GM na Venezuela, a concorrente Fiat Chrysler Automobiles (FCA) permanece em estado de espera. O grupo guiado por Sergio Marchionne reduziu suas atividades no país, e seu balanço de 2016 afirma que, por causa das "incertezas políticas", existe a possibilidade de perda do controle de suas operações na nação latina.   

Já a construtora Astaldi, que trabalhava nas obras de uma rede ferroviária de US$ 3,3 bilhões em um consórcio com a também italiana Salini Impregilo, interrompeu o projeto em 2015 devido a atrasos nos pagamentos do poder público. No ano seguinte, o governo reconheceu a dívida, mas não desembolsou nenhum centavo.   

Os dois grupos esperam que a situação melhore para retomar a construção da linha.   

Por sua vez, a Alitalia, que também passa por uma grave crise financeira, interrompeu seus voos a Caracas em razão das dificuldades na repatriação dos lucros, situação que gerou uma dívida do governo com as companhias aéreas de cerca de US$ 4 bilhões.   

Mas também há uma série de empresas menores, muitas vezes comandadas por pequenos empreendedores ítalo-venezuelanos, que congelaram suas atividades ou se transferiram para locais de economia mais estável, como Miami, nos Estados Unidos, e o vizinho Panamá. (ANSA)
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