Entre incertezas sobre futuro, líderes celebram Dia da Europa

ROMA, 9 MAI (ANSA) - Em meio às incertezas em relação ao futuro, os europeus celebram o Dia da Europa neste 9 de maio, com festividades especiais pelos 60 anos da União Europeia.   

"Só a escolha europeia, hoje como nos anos 1950, poderá permitir que nosso continente garanta as exigências de desenvolvimento e de prosperidade para seus cidadãos e, ao mesmo tempo, a possibilidade de afirmar valores, a identidade, os interesses de nossos povos na cena internacional", afirmou o presidente italiano, Sergio Mattarella, em nota divulgada pela data especial.   

Já a alta representante da UE para a Segurança e Política Externa, Federica Mogherini, também enviou uma mensagem para a data e ressaltou que o "futuro da Europa não é algo que herdamos de nossos pais e mães fundadores", mas sim que a "União Europeia é um conjunto de valores em acreditamos, as parcerias que construímos no mundo, o espelho de nossa sociedade europeia".   

"Todo dia, cada um de nós, europeus, construímos a Europa. E renovamos nosso compromisso de ficarmos juntos, usando a força que nossa unidade nos confere - porque só juntos poderemos enfrentar os desafios de nosso tempo", acrescentou.   

A celebração do Dia da Europa ocorre em um momento em que o bloco europeu enfrenta a saída do Reino Unido, o chamado "Brexit", mas também em um momento de esperança, quando o candidato europeísta Emmanuel Macron venceu as eleições na França.   

Para Mogherini, as recentes situações vividas pela União Europeia mostram que o bloco "precisa de mudanças" e que "não é perfeito".   

"Mas as mudanças são possíveis e estão acontecendo. Escolhemos uma União Europeia mais forte. A escolha de uma Europa mais justa, mais segura e mais equitativa é nossa, de todos e cada um de nós. É disso que se trata. O Dia da Europa não disse respeito ao futuro das instituições da União Europeia, mas ao futuro de cada cidadão europeu", concluiu.   

- A data: A data de 9 de maio foi escolhida por representar o dia em que a "Declaração de Schuman" foi assinada por França, Alemanha Ocidental, Itália, Holanda, Luxemburgo e Bélgica, criando a então Comunidade do Carvão e do Aço Europeia em 1950.   

Cinco anos após o fim da Segunda Guerra Mundial, havia o temor que os governos dos países europeus - especialmente, França e Alemanha Ocidental - voltassem a entrar em guerra por diversos tipos de problemas - desde políticos até econômicos.   

Por isso, o ministro de Relações Exteriores da França, Robert Schuman, propôs um primeiro acordo entre as nações europeias para "apaziguar" os ânimos e criar uma comunidade capaz de evitar conflitos bélicos.   

A Declaração virou Tratado no ano seguinte e foi o passo fundamental para que, em 1958, fossem assinados os Tratados de Roma, que deram início à Comunidade Econômica Europeia.   

Na década de 1980, mais precisamente em 1986, o acordo de Roma evoluiu para o Ato Único Europeu, que criou um mercado comum entre alguns países do continente, e que mais tarde culminou com a assinatura do Tratado de Maastricht, que oficialmente fundou a União Europeia, em 1992, com 12 Estados-membros. Atualmente, com a saída do Reino Unido, são 27 países que compõem o bloco. (ANSA)
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