Argentina é tomada por protestos contra repressores

BUENOS AIRES, 11 MAI (ANSA) - Cerca de 500 mil pessoas se reuniram na Praça de Maio, no centro de Buenos Aires, na noite desta quarta-feira (10) para protestar contra a decisão da Corte Suprema que atenuou a pena de um dos repressores da ditadura militar (1976-1983). Além da capital do país, mais de 20 cidades também fizeram protestos contra a decisão do Supremo. Os números não confirmados pelas autoridades. Com cartazes contrários à chamada lei "2x1", eles gritavam palavras de ordem contra decisão e marcharam pela capital argentina.   

Muitos deles foram com lenços brancos pelas ruas no movimento que contou com a presença das senhoras que fazem parte do grupo das Mães da Praça de Maio, que luta para encontrar crianças que foram afastadas dos pais pela ditadura.   

"Repudiamos a decisão da Corte Suprema. Estamos celebrando porque vamos fazer. Isso demonstra que o povo unido jamais será vencido", disse Taty Almeida, uma das líderes das Mães da Praça de Maio.   

O caso que gerou o protesto ocorreu no dia 3 de maio, quando a Corte Suprema abrandou a pena de Luis Muiña, 61 anos, condenado a 13 anos de prisão em 2011 por crimes contra a humanidade. Ele sequestrou e torturou cinco pessoas dentro do hospital Posadas, um dos centros de tortura da ditadura.   

Com a decisão, que desconta dois anos de pena para cada ano que o acusado ficou em prisão preventiva, Muiña praticamente cumpriu apenas metade do que foi condenado. O temor dos movimentos é de que os mais de 700 acusados por crimes contra a humanidade durante a ditadura usassem o caso como precedente e fosse soltos muito antes de cumprir a pena.   

A pressão popular da última semana, no entanto, já surtiu efeito no mundo político. Ontem no fim da tarde, o Senado aprovou por unanimidade uma lei que freia qualquer tentativa de reduzir penas de pessoas condenadas por crimes contra a humanidade. O texto aprovado pelos senadores destaca que computar os dias de prisão sem condenação, como fixava a lei 24.390, derrogada em 2001, "não é aplicável a condutas que se enquadrem na categoria de crimes de lesa humanidade, genocídio ou crimes de guerra, segundo o direito internacional". (ANSA)
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