Igreja precisa se lembrar de cuidar das crianças, diz Papa

CIDADE DO VATICANO, 15 MAI (ANSA) - Por Giovanna Chirri - Com a canonização dos pastorinhos de Fátima "quis também propor a toda a Igreja para cuidar das crianças", afirmou o Papa após um momento pensativo.   

A fala também veio depois de ter explicado que a "santidade" dos pastorinhos Francisco e Jacinta, que há 100 anos tiveram as visões de Nossa Senhora, "não é uma consequência das aparições, mas da fidelidade e do ardor com os quais corresponderam o privilégio recebido de poder ver a Virgem Maria".   

A frase de Jorge Mario Bergoglio, que da janela do quarto na Praça São Pedro ficou contando sobre sua peregrinação a Fátima terminada no sábado, foi acolhida por um aplauso. E é espontâneo repensar no que ele disse ainda no avião papal, de volta da cidade portuguesa, aos jornalistas sobre o propósito da atenção da Igreja contra o abuso de padres contra crianças e sobre a comissão criada por ele para combater o crime de pedofilia do clero.   

O Papa Bergoglio lembrou que foi colocada uma legislação sobre o tema e destacou o problema do acúmulo das práticas, da necessidade de aumentar o pessoal capaz de examiná-las, das pessoas que colocou em alguns dos postos-chave e, enfim, os direitos dos acusados de não serem julgados na apelação após uma sentença em primeiro grau.   

"É assim que as coisas estão, estamos andando adiante e dá dois percursos e casos empilhados", ressaltou. E assim ele explicou as pessoas e as mudanças na comissão.   

Collins é uma "boa mulher que continuará a trabalhar conosco na formação", "mas fez essa acusação porque tem uma certa razão, porque há muitos casos atrasados, se acumulando, porque neste tempo foi preciso fazer uma legislação sobre isso".   

"O que devem fazer os bispos diocesanos, é que hoje há em quase todas as dioceses um protocolo a fazer e, para este caso, é um projeto grande assim o dossiê será bem feito. E esse é um passo", disse sobre a saída do grupo de Marie Collins, que criticou alguns pontos da comissão.   

"Um outro passo é que há poucas pessoas e há a necessidade de mais pessoas capazes de fazer isso. O secretário de Estado está procurando, também o monsenhor Muller, procurando gente capaz de fazer isso. Outro dia, contrataram dois ou três e assim segue", acrescentou.   

Seguindo seu pensamento, Bergoglio falou sobre a mudança do diretor do escritório disciplinar, o mexicano Pedro Miguel Funez Diaz.   

"Ele era bom, era muito bom, mas estava um pouco cansado e voltou para sua pátria para fazer a mesma coisa no seu episcopado. O novo é um irlandês, monsenhor Kennedy, que é uma pessoa muito boa, muito eficiente e combativa. Isso nos ajudará muito", ressaltou aos jornalistas.   

"E há ainda outra coisa. Às vezes, os bispos enviam e, se o protocolo está bom, vai rapidamente para a 'feria quarta' [reunião da Congregação] e a 'feria quarta' estuda e decide. Se o protocolo não está bom, precisa voltar e por isso estamos pensando em ajudas continentais ou em um continente ou dois. Por exemplo, na América Latina, um na Colômbia e outro no Brasil", acrescentou.   

Esses países seriam como "pré-tribunais ou tribunais continentais, mas isso ainda está em fase de planejamento".   

"Depois, os estudos na 'feria quarta' que tivessem dado uma sentença e ela fosse injusta, busca-se os direitos dos acusados.   

Criei um outro tribunal e coloquei em campo uma pessoa indiscutível, o arcebispo de Malta, monsenhor Scicluna, que é um dos mais fortes contra os abusos", explicou ainda.   

"Precisamos ser justos e aquele que sofreu um processo tem direito a um defensor. Se for aprovada a primeira sentença [condenação], o caso chega ao fim. Só fica faltando para ele uma carta pedindo perdão ao Papa. Eu nunca assinei um perdão", finalizou. (ANSA)
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