1ª viagem internacional de Trump quer mostrar lado negociador

SÃO PAULO, 17 JUN (ANSA) - Por Tatiana Girardi - Voltado para as políticas internas e em meio a mais um escândalo por conta da revelação de informações secretas aos russos, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, parte para sua primeira viagem internacional como chefe de Estado.   

O roteiro, que inicia em três países fortemente ligados às maiores religiões do mundo, começará pela Arábia Saudita, no dia 19 de maio, seguirá para Israel no dia 22 e Vaticano no dia 24.   

De lá, Trump parte para Bruxelas, para participar da reunião de cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), e fecha o giro internacional com a presença na reunião dos chefes de Estado e governo dos países que compõem o G7, em Taormina, na Itália.   

Mas, o que esperar das primeiras visitas de Trump no exterior? Especialistas afirmam que elas tentarão mostrar uma reaproximação a parceiros e aliados antigos e mostrar que os Estados Unidos tem um presidente que sabe ser negociador.   

"A Arábia Saudita é um aliado dos EUA. Mas, na época de [Barack] Obama, por causa da aproximação e dos acordos com o Irã, a Arábia Saudita se distanciou dos EUA. Interessa a Trump retomar uma relação mais próxima, há muitos interesses econômicos e é a capital em termos religiosos, da religião islâmica", diz o professor de História e Relações Internacionais da Unesp, Luis Fernando Ayerbe, à ANSA.   

Para o especialista, há também uma ideia de que essa nova aproximação encontre "encontrar uma saída para o conflito entre Arábia e Israel e desmistificar essa ideia de que ele é contra os muçulmanos".   

Para o professor de Relações Internacionais na Pontifícia Universidade Católica (PUC) e coordenador do Observatório Político dos Estados Unidos (Opeu), Geraldo Zahran, o afastamento entre árabes e norte-americanos durante o governo de Obama, por conta do acordo nuclear, terá um grande peso durante os encontros.   

"Trump alardeou que cancelaria o acordo durante a campanha mas até agora não o fez. Como o acordo é sancionado pela ONU e envolve outros países, e até agora parece estar tendo bons resultados, talvez seja mais difícil para Trump sair do acordo do que ele tinha inicialmente imaginado. Assim, algum tipo de acomodação com os sauditas deve ser buscado", diz à ANSA.   

Já para o professor de Direitos Humanos e Direito Constitucional da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Flavio de Leão Bastos Pereira, a visita à Arábia Saudita "parece ter dois objetivos que me parecem bem mais claros".   

"O primeiro deles é que, do ponto de vista comercial, a Arábia Saudita é um dos maiores compradores dos EUA. Agora, do ponto de vista geopolítico e dos conflitos no Oriente Médio, há uma tentativa de trazer os países muçulmanos como parceiros no combate ao Estado Islâmico, cuja destruição foi declarada essa semana como prioridade do governo Trump", explica à ANSA.   

Já na segunda etapa da viagem, em Israel, a ideia será o reforço das relações com o premier Benjamin Netanyahu, a quem Trump também mostrou mais proximidade do que seu antecessor, além de mostrar uma postura conciliadora com os palestinos.   

"No caso palestino-israelense, ele sempre mostrou uma postura clara que ele mudaria a embaixada americana para Jerusalém, o que seria um grande problema para os palestinos e uma vitória diplomática de Israel. Então, ele coloca-se agora com um mediador sensato, onde muda sua postura", explica Pereira.   

Já Ayerbe atribui uma mudança na postura do presidente também pelo fato de que, em pouco mais de 100 dias de governo, Trump "ter poucas conquistas e está isolado" no cenário internacional.   

Outro ponto ressaltado por Pereira é o fato de que a visita ocorre em um momento de "incêndio" nas relações entre os dois países. "Com a declaração de um de seus assessores, dizendo que o Muro das Lamentações fica em território palestino, e a possível transferência de informação para os russos de uma informação passada pelos israelenses, gera aqui uma desconfiança por parte de Israel. Gera um abalo, ainda não tão evidente, que ele tentará amenizar", ressalta lembrando do escândalo mais recente da administração republicana.   

Trump teria repassado uma informação altamente confidencial para o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serghei Lavrov, que sequer havia sido informada para os países aliados. De acordo com a mídia norte-americana, essa informação veio de Israel.SEGUE (ANSA)
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