Áudio confirma teor de delação de Joesley sobre Temer (2)

SÃO PAULO, 18 MAI (ANSA) - O Supremo Tribunal Federal (STF) liberou na noite desta quinta-feira (18) o áudio da conversa entre o presidente Michel Temer e Joesley Batista, dono do frigorífico JBS.   


A gravação de quase 40 minutos foi divulgada pelo ministro Edson Fachin, após o peemedebista ter pedido para ter acesso a seu conteúdo. No minuto nove, Joesley menciona o nome do deputado cassado Eduardo Cunha, preso desde o fim do ano passado, e diz que, "dentro do possível", fez "o máximo que deu ali".   


"Zerei tudo o que tinha de alguma pendência, zerou tudo, liquidou tudo. E ele foi firme em cima, ele já tava lá, veio, cobrou, tal, tal e tal. Pronto, acelerei o passo e tirei da frente", afirma o dono da JBS, reclamando que não pode mais se encontrar com o ex-ministro Geddel Vieira Lima, também investigado pela Justiça.   


Em seguida, Joesley afirma que está "se defendendo". "O que eu mais ou menos dei conta de fazer até agora? Tô de bem com o Eduardo...", acrescenta, antes de ser interrompido por Temer.   


"Tem que manter isso, viu?", fala o presidente da República.   


"Todo mês. Eu tô segurando as pontas, tô indo", responde o empresário.   


Em seu pronunciamento na tarde desta quinta, Temer havia dito que Joesley lhe relatara que estava auxiliando "a família do ex-parlamentar", declaração que não é audível na gravação da conversa. Durante o diálogo, o dono da JBS também fala abertamente sobre suas tentativas de obstruir as investigações da Lava Jato, mas não escuta nenhuma reprimenda de Temer.   


"É, eu tô investigado, não tenho ainda a denúncia. Aqui eu dei conta de um lado o juiz, dá uma segurada. Do outro lado o juiz substituto, que é um cara que fica... Tô cuidando dos dois.   


Consegui dentro da força-tarefa também, tá me dando informação", diz.   


Em determinado momento, o empresário fala que está tentando trocar o procurador que o investiga. O presidente da República não o questiona, nem mesmo quando Joesley conta que pagava R$ 50 mil por mês para conseguir informações privilegiadas.   


Joesley também afirma que suas "boas relações com a imprensa" serviram para abafar denúncias contra ele. No minuto 26, o dono da JBS menciona o processo contra a chapa Dilma-Temer no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e o presidente mostra confiança de que não será cassado.   


"Eu acho que não passa o negócio da minha cassação porque eles têm uma consciência política, 'mais um presidente'... Primeiro.   


Segundo, eu tenho argumento. Terceiro, a improcedência da ação", diz Temer, que em seguida fala dos "aborrecimentos" que Joesley tem enfrentado.   


A delação do empresário motivou a abertura de um inquérito no STF contra o presidente, que também teria indicado o deputado peemedebista Rodrigo Rocha Loures para resolver um assunto da holding J&F, controladora da JBS, no governo. Mais tarde, Loures foi filmado recebendo uma mala com R$ 500 mil de Ricardo Saud, diretor da empresa.   


Foi em conversa com Loures que Joesley fez menção à família de Cunha e do doleiro Lúcio Funaro, também preso na Lava Jato.   


Segundo trecho obtido pela "Folha de S. Paulo", o empresário afirma: "Eu disse pro Michel, desde quando Eduardo foi preso e ele, quem está segurando as pontas sou eu. Dos dois, tanto da família de um quanto da família de outro".   


O presidente da República ainda não se pronunciou após a liberação do áudio da conversa com Joesley, que ocorreu em uma noite de março, no Palácio do Jaburu, e não constava de sua agenda. (ANSA)
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