Prefeita de Roma é convocada a depor em caso de corrupção

ROMA, 30 MAI (ANSA) - A prefeita de Roma, Virginia Raggi, foi convocada nesta terça-feira (30) a depor no processo que julga um de seus aliados mais próximos, Raffaele Marra, por corrupção.   

Raggi será testemunha de defesa de Marra, que era chefe do departamento de pessoal da Prefeitura da capital italiana e fazia parte do "núcleo duro" da administração municipal. Ele também era considerado o "braço direito" da prefeita.   

Em dezembro passado, Marra foi preso sob a acusação de ter recebido suborno de uma empreiteira em 2013, quando comandava o departamento de políticas habitacionais de Roma, no governo de centro-direita de Gianni Alemanno.   

A proximidade entre o ex-assessor e Raggi motivou a abertura de um inquérito do Ministério Público sobre a nomeação de Renato Marra, irmão de Raffaele, para um cargo na Secretaria de Turismo.   

Em depoimento aos investigadores no fim do ano passado, a prefeita havia negado qualquer participação na indicação de Renato, mas mensagens descobertas no celular de Raffaele mostraram que os dois chegaram até a conversar sobre seu salário.   

Por conta disso, Raggi é investigada por abuso de poder e falso testemunho, já que não teria impedido um conflito de interesses na nomeação de Renato por Raffaele e teria mentido ao afirmar que não sabia da indicação.   

O depoimento da prefeita deve ocorrer a partir de 30 de junho, mas ela não está entre as implicadas neste processo. "O dever de testemunhar é previsto no código [de seu partido], então irei, como está previsto na lei", afirmou Raggi nesta terça.   

Eleita em junho de 2016, na esteira do desencanto dos italianos com a classe política, a prefeita de Roma é a grande aposta do partido antissistema Movimento 5 Estrelas (M5S) para mostrar que pode governar a Itália.   

No entanto ela vem enfrentando constantes crises desde que chegou ao poder, principalmente ligadas à nomeação de sua equipe. Raggi chegou a pensar até mesmo em renunciar, mas agora afasta essa hipótese, mesmo que seja indiciada por abuso de poder e falso testemunho.   

"Estamos falando neste momento de uma coisa que não existe, mas mesmo assim diria não", disse a prefeita ao responder a uma pergunta sobre uma eventual demissão. Raggi é a primeira mulher a governar Roma e assumiu a cidade com um discurso baseado na transparência e no combate intransigente à corrupção. (ANSA)
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