Líderes lamentam decisão de Trump sobre Acordo de Paris

ROMA E MOSCOU, 2 JUN (ANSA) - A decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de retirar seu país do maior acordo climático da história, o chamado "Acordo de Paris", continua a repercutir entre os principais líderes mundiais nesta sexta-feira (2).   

Acusados de ajudarem Trump a se eleger presidente dos EUA, membros do governo russo afirmaram que a medida do mandatário foi "decepcionante".   

O conselheiro do presidente Vladimir Putin, Andrei Belusov, afirmou à agência Interfax que "é absolutamente evidente que sem a participação dos EUA, os acordos de Paris serão inatuáveis".   

Em entrevista à Interfax, Belusov afirmou que até entende o que Trump fez, mas que sente "um profundo lamento porque não se pode mudar as decisões já tomadas".   

"Somos obrigados a aceitar essa decisão, mesmo se ela suscita uma certa decepção. Esperamos que os temores derivantes da decisão de Washington não se realizem e os outros participantes-chaves, como Rússia e China, façam todo o possível para realizar o acordo, que tem como objetivo principal prevenir a catástrofe ecológica no planeta", disse o chefe da Comissão de Relações Exteriores do Parlamento, Leonid Slutsky, à agência Interfax.   

A premier britânica Theresa May, que se mostrou muito próxima a Trump especialmente neste período de saída do Reino Unido da União Europeia, também lamentou a decisão e disse ao mandatário norte-americano que estava "decepcionada" com a notícia, informam fontes do governo.   

Segundo May, os britânicos confirmam seu "compromisso em relação ao acordo de Paris" porque ele é uma garantia para "proteger a prosperidade e a segurança das futuras gerações".   

Outro aliado de Trump, o governo japonês se manifestou contrário à saída dos EUA e as decisões do republicano. O ministro das Relações Exteriores, Fumio Kishida, afirmou que "por mais inconveniente que possa ser a saída dos EUA, o Japão continuará a trabalhar com os países que assinaram o acordo de Paris para garantir a implementação das promessas".   

Assim como na nota conjunta divulgada logo após a comunicação de Trump por Itália, Alemanha e França, os líderes europeus também se manifestaram contrários à decisão. "Pacta sunt servanda ('Pactos assumidos devem ser respeitados', em tradução livre). É uma questão de confiança e de liderança.   

Essa decisão prejudicará os EUA e o planeta", foi o comentário do presidente do Parlamento Europeu, Antonio Tajani, sobre a decisão do magnata.   

Antes de receber lideranças chinesas em Bruxelas nesta sexta, o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, afirmou que a luta contra as mudanças climáticas "hoje é mais importante do que ontem" e que "China e União Europeia estão alinhados para soluções em comum". "Nossa mensagem ao mundo é que não se voltará para trás na transição energética, não se volta atrás no Acordo de Paris", disse aos jornalistas.   

Já o premier da Bélgica, Charles Michel, escreveu nas redes sociais que "condena esse ato brutal contra o acordo de Paris".   

"Liderança significa combater as mudanças climáticas juntos, não abandonar compromissos", concluiu Michel.   

Já a China, que está com seus principais membros do governo na Europa, reafirmou seu compromisso com o acordo e afirmou que "as partes devem proteger esse resultado conquistado depois de muito trabalho".   

Segundo a ministra das Relações Exteriores, Hua Chunying, "manteremos os nossos compromissos e a China está pronta para cooperar com todos os países da comunidade internacional, incluindo os EUA, para promover um desenvolvimento verde em nível global, sustentável e reduzindo as emissões de carbono".   

- Brasil lamenta decisão: Em nota divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores do Brasil, o governo de Michel Temer condenou a decisão de Trump.   

"O governo brasileiro recebeu com profunda preocupação e decepção o anúncio de que o governo norte-americano pretende retirar-se do Acordo de Paris sob a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima e "renegociar" sua reentrada.   

Preocupa-nos o impacto negativo de tal decisão no diálogo e cooperação multilaterais para o enfrentamento de desafios globais", escreveu em nota oficial o Itamaraty.   

O texto afirma que o país "continua comprometido com o esforço global de combate à mudança do clima e com a implementação do Acordo de Paris".   

" O combate à mudança do clima é processo irreversível, inadiável e compatível com o crescimento econômico, em que se vislumbram oportunidades para promover o desenvolvimento sustentável e para novos ganhos em setores de vanguarda tecnológica", destacou. (ANSA)
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