Hamas completa 10 anos em Gaza e celebra 'sucessos'

GAZA, 6 JUN (ANSA) - Por Sami al-Ajrami. Há 10 anos, entre os dias 10 e 15 de junho, uma grande fratura se abria na política palestina quando as forças do grupo terrorista Hamas, ao fim de uma sangrenta batalha nas ruas da Faixa de Gaza, que deixou 161 mortos, expulsaram da região as forças de segurança da Autoridade Nacional Palestina (ANP) fieis ao seu presidente Mahmoud Abbas, que até o momento não voltaram ao território.   

Por ocasião do aniversário de uma década deste acontecimento, o Hamas ainda não anunciou nenhuma celebração. No entanto, um de seus dirigentes, Sallah el-Bardawil, disse que o seu movimento quer continuar no poder. "Resistimos por 10 anos e podemos resistir por mais 10", disse. Com a afirmação, el-Bardawil deveria estar se referindo provavelmente à forte militarização do grupo que, em ação em três ocasiões - em 2008 em 2012 e em 2014 -, derrotou o Exército israelense. Nas declarações públicas, os dirigentes do Hamas já elencaram uma série de supostos sucessos conquistados nesses 10 anos de poder exclusivo dos cerca de 2 milhões de habitantes da Faixa de Gaza. Em discursos, o grupo afirma que acabou com o terrível caos na segurança da região, que contou com centenas de mortes principalmente entre 2004 e 2007, e que retomou a ordem. Além disso, os dirigentes ainda dizem que demonstraram ao povo palestino que as tratativas conduzidas pela ANP com Israel resultaram em um vínculo cego e que apenas a luta armada poderá dar um fim à ocupação de israelenses em territórios palestinos.   

É assim que o Hamas prevê que, em poucos anos, "Jerusalém será libertada". E o grupo ainda se vangloria que conquistou outro sucesso: a difusão do Islã de forma agora muito mais generalizada. "Somos o partido de Deus", ressaltam os porta-vozes do grupo. No entanto, em uma Gaza atingida por inúmeras dificuldades econômicas, há muita gente que oferece um quadro bem mais negativo dos 10 anos do Hamas. Entre essas pessoas está, por exemplo, o grande escritor Abdullah Abu Sharkh, que no início do mês foi preso - e depois libertado - por ter expresso suas críticas no Facebook. Além dele, também se encontra Hani Habib, cientista político da Universidade de Gaza, que, em uma entrevista com a ANSA, afirmou que "voltamos ao século passado", se referindo à incapacidade por grande parte da população de satisfazer suas necessidades mais elementares. Atualmente na Faixa de Gaza quem deseja um botijão de gás de cozinha deve agendar sua entrega com dois meses de antecedência.   

Já a água que sai das torneiras das casas e de outros edifícios não é potável e a eletricidade é interrompida por horas todos os dias.   

Segundo Habib, para reparar essa situação desastrosa, um acordo político que consentisse que Abbas recuperasse o controle dos cruzamentos externos de Gaza e tomasse as rédeas dos ministérios é bem-vindo. No entanto, "para superar a fratura entre o Hamas e o Al Fatah, a opinião pública tem que ser mobilizada", explicou o cientista político. Além disso, Habib também afirmou que, em frente às lacerações da política palestina, Israel deverá continuar avançando na sua política de colonização e os países árabes têm uma ótima desculpa para se eximir dos seus empenhos em relação aos palestinos. Nos últimos dias, aliás, um dos maiores apoiadores de Gaza, o Catar, está em meio a grandes problemas com o corte das relações de seis nações árabes diplomáticas com o seugoverno. O Hamas também acabou perdendo, com o passar dos anos, o apoio da Síria enquanto o da Turquia e do Irã enfraqueceram. Por isso, o novo líder do grupo na região, Yahya Sinwar, está empenhado em uma missão ao Cairo para melhorar as relações ao menos com o Egito. Sendo assim, Talvez a década do grupo na Faixa de Gaza não mereça comemorações. (ANSA)
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