Mãe de terrorista italiano de Londres culpa 'pessoas erradas'

BOLONHA, 06 JUN (ANSA) - O silêncio circunda a casa de Valeria Khadija Collina, 68 anos e mãe do ítalo-marroquino Youssef Zaghba, em Valsamoggia, cidade de 30,7 mil habitantes situada na região da Emília-Romana, norte da Itália.   

A residência passou a ser assediada por jornalistas desde a revelação, nesta terça-feira (6), de que o filho de Collina era um dos três terroristas que mataram sete pessoas na London Bridge e no Borough Market, em Londres, no último sábado (3).   

Apesar da insistência da imprensa, a idosa, reclusa em sua casa ou em outro lugar, não deu as caras. Convertida ao islã, Collina é italiana e divorciada de um marroquino com quem teve um filho e uma filha: Youssef e a Khaoutar, que vive em Bolonha.   

Segundo vizinhos da mãe do terrorista, seu ex-marido voltou para o Marrocos após o divórcio e mora atualmente em Fès, onde nascera Youssef. Os últimos dias foram de angústia para Collina, até a Divisão de Investigações Gerais e Operações Especiais (Digos) da Polícia de Estado informar que seu filho de 22 anos, com quem não conseguia contato desde a semana passada, estava morto.   

"Ele me telefonou na última quinta-feira (1º), no início da tarde, e, olhando em retrospectiva, eu vejo que aquele foi seu telefonema de adeus. Ele não me disse nada de especial, mas eu senti em sua voz", contou Collina em uma entrevista à revista "L'Espresso", a única concedida por ela nesta terça.   

A mãe colaborava com os investigadores desde março de 2016, quando Youssef foi detido no aeroporto de Bolonha com uma passagem só de ida para a Turquia, uma mochila e um passaporte.   

Na ocasião, implorou aos policiais: "Não o deixem partir". "No passado, ainda antes de tentar pegar aquele voo, ele me mostrou alguns vídeos da Síria. Mas nunca me falou de viajar para combater. Para ele, a Síria era um lugar onde se podia viver segundo um islã puro", disse Collina.   

Na última segunda-feira (5), ela foi ouvida de novo pelos investigadores, mas não deu nenhuma informação, já que não sabia detalhes sobre a vida do filho no Reino Unido. Tanto na Itália quanto no Marrocos, onde estudara informática na Universidade de Fès, Youssef conseguira ficar longe das más influências, de acordo com sua mãe. Mas não em Londres.   

"Aquele bairro [Barking] nunca me transmitiu serenidade. Conheci e não gostei. Ali ele conheceu as pessoas erradas", acrescentou Collina. Religiosa, ela só sai na rua com o véu e compartilha da posição dos imãs que não querem celebrar o funeral de seu filho.   

"É necessário dar um forte sinal político, até para passar uma mensagem às famílias das vítimas e aos não muçulmanos", salientou a idosa, que pretende agora "ensinar o verdadeiro islã" e combater a ideologia do Estado Islâmico. "O farei com todas as minhas forças". (ANSA)
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