Com May favorita, Reino Unido vai às urnas em meio ao terror

LONDRES, 07 JUN (ANSA) - Assim como aconteceu com a França no último mês de abril, o Reino Unido enfrentará o medo do terrorismo para ir às urnas nesta quinta-feira (8) e escolher seu próximo primeiro-ministro.   

Se do outro lado do Canal da Mancha a eleição para a Presidência da República havia acontecido três dias depois de um atentado na avenida Champs-Élysées, em Paris, os britânicos votarão com a memória do ataque do último sábado (3), em Londres, ainda fresca.   

A disputa opõe a atual premier do país, a conservadora Theresa May, ao trabalhista Jeremy Corbyn, que parecia carta fora do baralho, mas cresceu nas pesquisas nas últimas semanas. O pleito geral foi convocado pela própria May, que chegara ao poder sem passar pelo crivo das urnas, para reforçar seu mandato em vista das negociações do "Brexit", a saída do Reino Unido da União Europeia.   

Desde o anúncio das eleições antecipadas, em abril, o país já foi palco de dois atentados que deixaram 30 mortos - um mês antes, um homem havia matado cinco pessoas em frente à sede do Parlamento, em Londres. Somando os três ataques, já são 35 vítimas do terrorismo em menos de um ano de governo May.   

Cobrada por supostas falhas dos serviços de inteligência na prevenção contra atentados, a primeira-ministra endureceu o discurso nas últimas semanas e deslizou ainda mais para a direita, prometendo até mudar leis sobre direitos humanos para combater o terror.   

O medo é repetir o destino de seu antecessor, David Cameron, que convocara um plebiscito sobre o Brexit, mas acabou derrotado e forçado a renunciar. Ainda assim, todas as pesquisas colocam o Partido Conservador na liderança. Nas seis sondagens divulgadas nesta quarta (7), sua vantagem sobre o Partido Trabalhista varia de um a 12 pontos.   

Experiente líder da ala mais à esquerda de sua legenda, Corbyn se aproveitou dos passos em falso da adversária para ocupar um espaço central na campanha, voltando a lotar as praças com jovens desiludidos com os problemas sociais do país. Sua vitória é improvável, mas seu crescimento pode ser suficiente para tirar de May a maioria no Parlamento.   

O Reino Unido conta com quase 47 milhões de eleitores, que escolherão os ocupantes dos 650 assentos da Câmara dos Comuns.   

Para obter o controle da Casa, um partido precisa conquistar pelo menos 326, do contrário terá de formar coalizões.   

A premier até emprestou certo tom nacionalista de grupos eurocéticos e disse várias vezes que um voto para ela era também "um voto para uma Grã-Bretanha mais forte e independente". Já Corbyn adotou um discurso de defesa da democracia e dos direitos humanos, mas principalmente de retomada do sistema de bem-estar social contra a austeridade. (ANSA)
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