Ex-diretor do FBI acusa Trump de interferir no 'Russiagate'

NOVA YORK, 07 JUN (ANSA) - O ex-diretor do FBI James Comey disse em um depoimento por escrito que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, lhe havia pedido "lealdade" em seus serviços.   

A declaração está em um documento de sete páginas com o qual Comey, demitido pelo republicano no início de maio, abrirá sua audiência na Comissão de Inteligência do Senado nesta quinta-feira (8), quando falará sobre o "Russiagate".   

Segundo o ex-diretor do FBI, a conversa ocorreu em 27 de janeiro. "O presidente me disse: preciso de lealdade, espero lealdade", contou. Além disso, ele confirmou o teor de um memorando divulgado pelo jornal "The New York Times" e no qual dizia que Trump tinha pedido o arquivamento do inquérito contra Michael Flynn, então conselheiro para segurança nacional.   

"Donald Trump me pediu para deixar para lá a investigação sobre Flynn. 'É um bom rapaz', me disse", revelou Comey. Flynn saiu do cargo em 13 de fevereiro de 2017, acusado de ter mentido sobre contatos telefônicos com a diplomacia da Rússia em dezembro.   

As ligações foram interceptadas pelo FBI e captaram conversas entre Flynn e o embaixador de Moscou nos EUA, Sergey Kislyak, sobre as sanções impostas por Barack Obama em retaliação à suposta interferência do Kremlin nas eleições vencidas por Trump.   

Comey também contou em seu depoimento por escrito que o presidente havia classificado a investigação do Russiagate como uma "sombra que comprometia sua capacidade de agir pelo país". O caso já atingiu diversas pessoas do entorno do republicano, inclusive seu genro, Jared Kushner, um de seus principais conselheiros na Casa Branca.   

O "NYT" reconstituiu um encontro que o ex-diretor do FBI teve posteriormente com o procurador-geral Jeff Sessions, no qual este último havia pedido para Comey não deixá-lo "sozinho" com o presidente - na imprensa norte-americana, são cada vez mais fortes os rumores sobre uma possível renúncia de Sessions.   

O republicano demitiu Comey sob a alegação de que ele havia feito uma má condução do caso que inocentou a democrata Hillary Clinton sobre o uso de emails privados para comunicações oficiais, porém acabou abrindo a crise mais grave de seu curto mandato.   

A demissão ocorreu quando o ex-diretor do FBI estava perto de indiciar vários suspeitos no Russiagate. Após a saída de Comey, Trump nomeou um procurador especial para cuidar do caso, Robert Mueller. (ANSA)
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