'Tenho vergonha de sofrer', diz mãe de terrorista italiano

BOLONHA, 07 JUN (ANSA) - A mãe de Youssef Zaghba, um dos terroristas do atentado do último sábado (3) em Londres, recebeu jornalistas nesta quarta-feira (7) e disse que já sabia que seu filho se havia radicalizado.   

Valeria Khadija Collina, 68, abriu as portas de sua casa em Valsamoggia, na região da Emília-Romana, norte da Itália, e contou um pouco sobre o comportamento do jovem de 22 anos que cedeu à ideologia do Estado Islâmico e matou sete pessoas na capital do Reino Unido.   

"No ano passado, quando fui para a Inglaterra, ele estava mais rígido, pelo seu olhar entendi que tinha havido uma radicalização sobre os princípios e a fé do Islã", disse Collina. Segundo a idosa, Zaghba exigia muito de si mesmo. "Ele não conseguia ser aquilo que desejava, precisava de uma estrutura externa que lhe desse segurança. Talvez isso o tenha incentivado", acrescentou.   

O terrorista chegou a ser detido no aeroporto de Bolonha em 2016, quando a Polícia desconfiou do fato de ele tentar embarcar para a Turquia só com uma mochila e a passagem de ida - a suspeita é de que ele desejasse se juntar a extremistas na Síria.   

"No início, o terror de Youssef era ser preso. Depois, recuperou o passaporte, e eu lhe disse: você deve ser perfeito, não deve olhar nem mesmo meia coisa estranha na internet, deve conhecer as pessoas certas, fazer as coisas certas. Ele trabalhava muito, isso me deixava tranquila", relatou Collina, lembrando que o filho dava expediente de 10 horas em um restaurante paquistanês.   

A mãe também disse ser grata à Polícia pelo que aconteceu, contando que sempre tinha um agente seguindo Youssef quando ele a visitava. "Fizeram um trabalho incrível, sabiam muito bem o quanto eu estava preocupada", afirmou.   

A última vez que Collina falou com o filho foi na quinta-feira passada (1º), dois dias antes do atentado. "Neste momento, é impossível dizer qualquer coisa com sentido. Entendo o que possa estar sentindo uma mãe, mas eu não posso pedir perdão por outro, não posso nem mesmo pedir perdão em nome do islã, porque o islã não é isso. Eu posso entendê-las por meio de minha tragédia, mas não tenho a coragem de compará-las, é como se me envergonhasse de dizer que eu também sou mãe, que eu também sofro", declarou.   

Youssef nascera em Fès, no Marrocos, e era filho da italiana Collina com um marroquino - o jovem tinha cidadania dos dois países. A Polícia de Estado da Itália, que o libertara após o episódio de Bolonha, chegou a alertar o Reino Unido sobre a presença do terrorista em solo britânico. (ANSA)
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