Fracassa debate sobre nova lei eleitoral na Itália

ROMA, 8 JUN (ANSA) - Fracassou nesta quinta-feira (8) os debates sobre a nova lei eleitoral na Itália. O plenário da Câmara dos Deputados aprovou a volta do texto para a Comissão de Assuntos Constitucionais, após a apresentação de um pedido do Partido Democrático, e o texto volta para a estaca zero.   

O novo texto havia sido fruto de um acordo entre as quatro principais siglas italianas: PD (centro-esquerda), Movimento Cinco Estrelas (M5S, antissistema), Força Itália (direita) e Liga Norte (extrema-direita). No entanto, durante a votação de uma das mais de 200 emendas ao projeto, o "acordo" já perdeu força. Como a votação era secreta, a orientação das quatro siglas era de votar "não" na proposta de emenda apresentada que fazia uma reforma também nos colégios eleitorais da região autônoma do Trentino Alto-Ádige.   

Na proposta original, a região ficava de fora, mantendo o atual processo de voto utilizado no local. No entanto, o "pacto" foi para o espaço quando o resultado foi divulgado: foram 270 votos favoráveis à mudança, 256 contrários e uma abstenção.   

Com isso, a confusão foi instaurada. O partido do governo acusou o M5S de "trair" o acordo; já os "grilinos" se defenderam mostrando que gravaram seus votos com os celulares.   

A confusão ficou ainda pior quando, por uma "falha", foi divulgado uma tabela com os votos de acordo com a posição de cada um no plenário - o que comprovava que muitos membros do M5S votaram a favor da medida.   

Por conta do clima acirrado, a sessão foi suspensa por algumas horas. No retorno dos debates, o PD apresentou um pedido para que o texto de Fiano voltasse para a comissão, paralisando todo o debate sobre o tema.   

"A lei eleitoral está morta e os 5 Estrelas a mataram", disse o relator do projeto, acrescentando que os "irresponsáveis derrubaram a lei eleitoral por conta do Trentino".   

O líder do PD na Câmara, Ettore Rosato, afirmou aos jornalistas que teme pela continuidade do governo após a medida ter sido derrotada, já que há uma minoria que vota "40% das vezes contra o governo" nas eleições importantes.   

Rosato ainda acusou o M5S de votar a favor da emenda só para prejudicar o PD "porque vocês sabiam que isso era uma medida irrenunciável, que respeita os acordos internacionais".   

"O PD sofre uma traição rápida e também entre adversários não é permitida uma traição. O PD foi o partido que mais fez sacrifícios [no debate da nova lei], renunciando à votação majoritária", acrescentou.   

Já o deputado da Liga Norte, Giancarlo Giorgetti, afirmou que "não há mais uma maioria apta a aprovar uma lei eleitoral" e disse que "não acredita mais" em um acordo sobre um novo texto.   

Retribuindo as críticas de "traição", o deputado do M5S, Danilo Toninelli, afirmou que foi um "escândalo" o PD paralisar a votação por conta de "11 assentos em 630" no Parlamento, referindo-se à quantidade de parlamentares do Trentino-Alto Ádige.   

"Eles mataram a lei. O texto volta para comissão? Não, não...   

ele acabou", acrescentou.   

Com o fracasso dos debates, a Itália continua com duas leis eleitorais distintas: uma para a Câmara, um sistema proporcional com prêmio de maioria, e outra para o Senado, o proporcional puro.   

A nova lei eleitoral italiana tinha como base o "modelo alemão" nas eleições, com algumas modificações para se adequar à Constituição do país. (ANSA)
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