China lidera 'mapa do ódio' na web

ROMA, 14 JUN (ANSA) - Uma análise sobre as principais publicações feitas na internet, incluindo falsas notícias e mensagens extremistas, revelou que a China, Bielorússia, Indonésia e Bolívia são os países que mais disseminam o ódio na web.   

Entre as nações cuja maioria dos usuários postam mensagens de ódio também aparecem Austrália e Canadá. A Itália ocupa o quarto lugar junto com os Estados Unidos, Espanha e França.   

O "mapa do ódio" foi criado a partir de dois estudos publicados no site "ArXiv" e apresentado na Conferência de Web e Social Media. O evento foi organizado pelo Associação para o avanço da Inteligência Artificial e conduzido pela equipe de pesquisa internacional da University College London, que inclui os italianos Emiliano De Cristofaro e Gianluca Stringhini.   

Citada pela revista "Nature", a pesquisa foi baseada na análise de oito milhões de posts feitos por usuários do site "4chan", uma comunidade online em que é possível fazer publicações de imagens e comentários anônimos. Apesar do conteúdo de ódio ser eliminado, ele pode se espalhar rapidamente em redes sociais como Twitter e Facebook.   

O site é conhecido como um dos "cantos obscuros" da rede.   

"Ninguém está analisando realmente esta comunidade, mas há muitas evidências de que eles têm um impacto sobre a propagação de certos tipos de notícias", explicou Stringhini.   

Segundo o pesquisador italiano, o objetivo do estudo foi testar e compreender o site e ver em "que medida essas mensagens realmente influenciam o resto da web".   

"Os resultados, no entanto, devem ser analisados com cautela, porque os dados correspondem à média dos usuários que postam e não o total . Além disso, um usuário pode se conectar a partir de uma proxy diferente de seu país", explicou Cristofaro à ANSA.   

"Até agora, sites como 4chan eram vistos como lugares isolados, mas não é assim. Eles conseguem ter uma influência importante, até mesmo política. Não é exagero dizer que o site pode ter sido muito importante na eleição presidencial dos Estados Unidos no que diz respeito à mobilização do eleitorado em apoio a Trump", acrescentou o pesquisador italiano.   

O site 4chan gera notícias falsas com base em teorias da conspiração, que, em seguida, difundem para outros endereços da rede. (ANSA)
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