Trump é investigado por obstrução de Justiça, diz jornal

WASHINGTON, 14 JUN (ANSA) - O procurador especial do caso "Russiagate", Robert Mueller, está investigando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por obstrução de Justiça, crime que pode levar ao impeachment.   

A informação é do jornal "The Washington Post", que cita fontes "oficiais". Se confirmada, a notícia seria um ponto de virada no inquérito, que até então se concentrava nas supostas interferências da Rússia na eleição de 2016, vencida pelo republicano.   

Mueller foi nomeado pelo Departamento de Justiça para cuidar do "Russiagate" em maio passado, poucos dias depois da demissão do diretor do FBI, James Comey, que recentemente acusou o presidente de ter tentado interferir no caso. O inquérito apura se o Kremlin influenciou na disputa pela Casa Branca e se houve conluio entre membros da campanha de Trump e funcionários russos.   

Em janeiro, o mandatário recebera garantias do próprio Comey de que não estava sob investigação, mas oficiais do Departamento de Justiça dizem que essa condição mudou logo após a demissão.   

Mueller estaria inclusive apurando evidências de possíveis crimes financeiros.   

Segundo o "Washington Post", o diretor da Inteligência Nacional, Dan Coats, o diretor da Agência de Segurança Nacional (NSA), Michael Rogers, e o ex-vice-diretor da NSA Richard Ledgett aceitaram ser interrogados pelos investigadores nesta semana. O objetivo do procurador especial é descobrir se Trump agiu de alguma maneira para tentar atrapalhar o inquérito.   

Procurado pelo jornal, Mark Corallo, porta-voz de Marc Kasowitz, advogado do republicano, disse que o "vazamento de informações do FBI sobre o presidente é ultrajante, indesculpável e ilegal".   

A notícia da investigação contra o magnata veio a público um dia depois de um antigo amigo seu, Christopher Ruddy, ter revelado que o republicano estaria pensando em demitir Mueller, mas sem dar nenhuma justificativa para isso.   

Ao lado de corrupção e traição, obstrução de Justiça é um dos crimes que podem motivar a abertura de um processo de impeachment, algo que só aconteceu com dois presidentes: Andrew Johnson (1868) e Bill Clinton (1998), ambos absolvidos - Richard Nixon renunciou em 1974, evitando um afastamento iminente por causa do escândalo "Watergate".   

O processo precisa ser aprovado pela Câmara dos Representantes, por maioria simples (218 de 435 deputados), antes de seguir para o Senado, onde a destituição necessitaria do apoio de pelo menos 67 dos 100 membros da Casa. (ANSA)
Veja mais notícias, fotos e vídeos em www.ansabrasil.com.br.


Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos