Lufthansa e Ryanair estão na briga pela Alitalia

ROMA, 20 JUN (ANSA) - São pelo menos 12 as ofertas que passarão à segunda fase do processo de venda da Alitalia, a maior companhia aérea italiana, inclusive algumas feitas por gigantes do setor de aviação civil.   

Segundo fontes ligadas à empresa, a lista das propostas será oficializada ao longo desta semana e inclui manifestações de sociedades como a norte-americana Delta, a alemã Lufthansa, as britânicas British Airways e EasyJet, a irlandesa Ryanair e até a árabe Etihad Airways, que já detém 49% da Alitalia.   

Mas nem todas as ofertas preveem a compra da companhia italiana como um todo. A Ryanair, por exemplo, já havia anunciado que sua proposta é de uma parceria em voos regionais que alimentem as rotas de longo alcance da Alitalia.   

Algumas dessas empresas listadas, principalmente a Lufthansa, chegaram a negar que tivessem interesse na aquisição de todos os ativos da ex-companhia de bandeira da Itália - o desejo do governo, que administra a Alitalia em caráter extraordinário, é vendê-la em sua integridade.   

Outro entrave pode ser a regra da União Europeia que prevê que grupos extracomunitários não possam controlar mais do que 49% de um grupo de aviação civil sediado no bloco, algo que complicaria as tratativas com empresas como Etihad e Delta.   

O prazo para a manifestação de interesse pela Alitalia terminou no último dia 5 de junho, e 32 companhias se apresentaram, embora nem todas cumprissem requisitos mínimos de viabilidade. O objetivo dos comissários nomeados pelo governo é receber as propostas não vinculantes até o fim de julho e as definitivas até outubro.   

Paralelamente, Roma trabalha para reduzir custos na empresa e melhorar sua situação financeira, que ganhou um alívio com um empréstimo-ponte de 600 milhões de euros feito pelo governo nacional.   

Risco de falência - A crise na Alitalia se agravou após seus funcionários terem rejeitado um plano de demissões de 1 mil pessoas, requisito obrigatório para os acionistas aumentarem o capital da companhia aérea em 2 bilhões de euros.   

Com isso, a empresa se viu na perspectiva de ficar sem liquidez e pediu a intervenção do governo. Se não encontrar um comprador, a Itália terá dois caminhos: tentar sanar a Alitalia e mantê-la em sua configuração societária atual ou decretar sua falência, quando eventuais interessados poderiam comprar os ativos a preços muito menores.   

Ex-companhia aérea de bandeira, a empresa foi privatizada e é controlada atualmente pela holding Compagnia Aerea Italiana (CAI), que detém 51% de seu capital, e pela Etihad, dona dos 49% restantes.   

A segunda principal acionista da CAI é a estatal de correios Poste Italiane, com quase 19,48% de participação na holding, atrás apenas do banco privado Intesa Sanpaolo (20,59%). (ANSA)
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