Temer ataca Janot e diz ser vítima de 'trama de novela'

SÃO PAULO, 27 JUN (ANSA) - Em seu primeiro pronunciamento após ter sido denunciado por corrupção passiva, o presidente Michel Temer disse ser vítima de uma peça de "ficção" e fez insinuações sobre as motivações do procurador-geral da República, Rodrigo Janot.   


Cercado por aliados, o peemedebista discursou por aproximadamente 20 minutos e negou as acusações que pesam contra ele, sempre ressaltando que é originário do "mundo jurídico".   


"Sei quando a matéria é substanciosa, quando tem fundamentos e quando não tem. Sob o foco jurídico, minha preocupação é mínima", garantiu.   


Segundo Temer, ele sofreu um ataque "injurioso, indigno e infamante" contra sua "dignidade pessoal". "Nesse momento em que colocamos o país nos trilhos, somos vítima dessa infâmia de natureza política. Fui denunciado por corrupção passiva sem jamais ter recebido valores. Nunca vi o dinheiro e nunca participei de acertos para cometer ilícitos", reforçou.   


A denúncia de Janot acusa o presidente de ser o destinatário dos R$ 500 mil dados pelo frigorífico JBS ao ex-deputado federal Rodrigo Rocha Loures. Segundo o procurador-geral, o dinheiro era uma forma de propina para o peemedebista favorecer a empresa junto ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).   


"Onde estão as provas concretas de recebimento desses valores? Abriu-se um precedente perigosíssimo em nosso direito. Esse tipo de trabalho trôpego permite as mais variadas conclusões sobre pessoas de bem e honestas", declarou Temer, antes de partir para o ataque direto contra Janot.   


Primeiro ele voltou suas armas contra Marcelo Miller, que era assistente do procurador-geral na Lava Jato até março e trocou o emprego no Ministério Público para trabalhar no escritório que negociou o acordo de leniência do grupo JBS.   


"Ganhou milhões em poucos meses, o que levaria décadas para poupar. Garantiu a seu novo patrão um acordo benevolente, uma delação que o tira das garras da Justiça. E tudo ratificado pelo procurador-geral", disse Temer. Em seguida, insinuou irregularidades no trabalho de Janot. "Poderíamos concluir que, talvez, os milhões não fossem unicamente para o assessor de confiança que deixou a PGR. Mas não farei ilações, não denunciarei sem provas", ironizou.   


Para o presidente, Joesley Batista e o procurador-geral criaram uma "trama de novela" contra ele. "Digo sem medo de errar que a denúncia é uma ficção. O desespero de se safar da cadeia foi o que moveu o cidadão Joesley e seus capangas", ressaltou, acrescentando que a denúncia se baseia em "provas armadas e conversas induzidas".   


"As regras mais básicas da Constituição não podem ser tripudiadas pela embriaguez da denúncia que busca a revanche, a destruição e a vingança. Ainda fatiam as denúncias para produzir fatos semanais para a imprensa. Querem parar o país, parar o Congresso, em um ato político, com denúncias frágeis", salientou.   


Ao longo dos quase 20 minutos de discurso, Temer se concentrou nos ataques contra a denúncia, Janot e Joesley, mas tratou do crime do qual é acusado, corrupção passiva, apenas de passagem.   


"Ainda não está claro o que moveu Janot, que homologou uma delação e distribuiu o prêmio da impunidade", disse.   


O presidente também afirmou que "descobriu o verdadeiro Joesley" apenas com o vazamento de sua delação premiada e que o recebera no Palácio do Jaburu, tarde da noite e sem aviso na agenda, porque ele era o "maior produtor de proteína animal do Brasil".   


Na época, o dono da JBS já era investigado em uma série de inquéritos.   


Nos próximos dias, espera-se que Janot apresente duas novas denúncias contra Temer, mas por obstrução de Justiça e organização criminosa. Para o presidente ser processado, é preciso que a Câmara dos Deputados autorize o julgamento por maioria qualificada de dois terços. (ANSA)
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