Por que prestar atenção na Semana de Alta-Costura de Paris?

SÃO PAULO, 30 JUN (ANSA) - Por Ana Ferraz. Há alguns anos, muitos pensavam que entre as semanas de moda masculina e feminina do meio do ano havia um vácuo no mundo da moda. No entanto, cada vez mais a Semana de Alta-Costura de Paris vem atraindo grifes, compradores, jornalistas e amantes de moda e se tornando um evento essencial para o universo fashion. No ano passado, o cofundador da marca francesa Yves Saint Laurent, Pierre Bergé, havia dito que a "couture" iria morrer em breve já que maisons de peso na área, como a própria marca que ajudou a criar, tinham abandonado o cenário. No entanto, não é isso que deve ser visto na edição outono/inverno da Paris Haute Couture Fashion Week, que começará neste domingo (2) e que será encerrada na próxima quinta-feira (6). Nesta edição, durante os quatro dias de desfile, serão 37 as marcas que apresentarão seus looks, entre as grifes consideradas de alta-costura, como a Christian Dior e a Chanel, e as convidadas, que podem até usar o termo para se definir, mas que não têm a certificação da comissão da Chambre Syndicale, órgão do governo especializado em moda. Fazer alta-costura significa criar uma coleção à parte, que seja focada na construção e no trabalho manual das peças. Seu objetivo é o de desenvolver vestimentas únicas, exclusivas e com um nível artesanal bem elevado. Por isso, como as coleções preferem mostrar qualidade a tendências, as semanas de couture acabam sendo um momento para as maisons mostrarem que são capazes de criar algo que não será copiado. Assim, a semana de moda acaba tendo como objetivo principal mostrar a imagem da companhia, além de divulgá-la para um grupo seleto, mas de altas condições financeiras. O que se tem visto nos últimos anos, no entanto, é que a Semana de Alta-Costura de Paris está se tornando mais procurada no universo da moda, tanto por marcas quanto por compradores. Os motivos disso são vários. Para marcas maiores e conhecidas pelo seu prêt-a-porter, expressão francesa que quer dizer "pronto para vestir", entrar na semana de couture francesa como convidada é poder sair do calendário tradicional da moda, que para muitos está saturado, e ganhar mais destaque. É o exemplo das marcas norte-americanas Rodarte e Proenza Schouler, que desfilarão em passarelas francesas pela primeira vez já no domingo. Como a semana de alta-costura também é um momento para o marketing da companhia, grifes jovens também a escolhem para conseguirem sair do anonimato que acabam tendo no calendário tradicional, que ainda dão mais destaque às maisons já consagradas. Esse é o caso, por exemplo, da marca holandesa Iris Van Herpen, que neste ano completa 10 anos e que, por isso, deverá apresentar uma coleção especial no próximo dia 3. Além disso, a Paris Haute Couture Fashion Week também é uma ocasião para as grandes marcas continuarem a mostrar porque ganharam tanto renome com o passar dos anos e provarem que ainda são atuais e que ainda merecem destaque. Assim, a segunda-feira (3) contará com o desfile da Christian Dior e da Giambattista Valli, a terça-feira (4), com a Chanel e a Giorgio Armani, e a quarta-feira (5), com Jean Paul Gaultier, Valentino e Fendi. (ANSA)
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