Mostra de Modigliani acusada de ter obras falsas é cancelada

GÊNOVA, 14 JUL (ANSA) - O Palácio Ducale de Gênova, no noroeste da Itália, cancelou nesta sexta-feira (14) uma exposição do artista modernista Amedeo Modigliani (1884-1920) que é investigada por suspeita de ter obras falsas em seu acervo.   


A mostra ficaria em cartaz até o próximo domingo (16), mas a decisão de antecipar seu encerramento em dois dias foi tomada após a Polícia ter ordenado a apreensão de 21 trabalhos que faziam parte da exposição.   


"Em consequência do processo em curso e independentemente de sua evolução, o Palácio Ducale sofreu danos consistentes a sua imagem e se apresenta exclusivamente como parte lesada", diz um comunicado divulgado pelo museu.   


Segundo a nota, a mostra não foi organizada diretamente pelo Palácio Ducale, mas sim pela empresa Mondo Mostre Skira, que já colabora com o museu há vários anos. A denúncia de falsificação partiu do crítico de arte italiano Carlo Pepi, que aponta que pelo menos 13 das cerca de 30 obras expostas - entre desenhos e aquarelas - são "questionáveis".   


"Estou certo de que há muitas não autênticas", declarou Pepi em maio passado. Ele é um dos maiores especialistas do mundo em Modigliani, e suas acusações levaram à abertura de um inquérito pela Procuradoria da República em Gênova.   


Três pessoas estão sendo investigadas, incluindo um curador da Mondo Mostre Skira e um colecionador de fama internacional, cujo nome não foi divulgado e que é proprietário de algumas das pinturas. As hipóteses são de falsificação de obra de arte, receptação e fraude.   


Os quadros contestados são "Cariátide vermelha/Os esposos", "Retrato de Chaim Soutine", "Nu reclinado (Retrato de Cèline Howard)", "Cabeça de mulher-Retrato de Hanka Zborowska", "Retrato feminino" e "Retrato de Maria", além do desenho "Retrato de Moise Kisling".   


Todos eles foram apreendidos, assim como alguns trabalhos autênticos, para que os investigadores possam compará-los. As obras serão submetidas nas próximas semanas a uma série de análises técnicas para certificar sua autenticidade. "Algumas obras eram tão claramente falsas que até uma criança poderia reconhecer", disse Pepi à ANSA nesta sexta-feira. A exposição recebeu mais de 10 mil visitantes e convivia com longas filas.   


Morto em 1920, aos 35 anos de idade, Modigliani passou boa parte de sua vida em Paris e era conhecido pelo comportamento boêmio e pelas suas figuras de pescoço alongado. Em sua curta trajetória, produziu cerca de 300 trabalhos, mas aproximadamente 100 se perderam ou são de origem duvidosa. (ANSA)
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