Áustria volta a ameçar fechar a fronteira e Itália se irrita

BERLIM E ROMA, 18 JUL (ANSA) - Mais uma vez, o ministro do Interior da Áustria, Wolfgang Sobotka, ameaçou fechar a fronteira com a Itália na região de Brennero por causa dos imigrantes e causou a ira do governo italiano.   

"Se o número de imigrantes ilegais em direção à Áustria aumentar de novo, fecharemos a fronteira no Brennero. Em 24 horas, nós podemos fechar a fronteira e realizar controles severos com os nossos soldados", disse Sobotka ao jornal alemão "Bild" nesta terça-feira (18).   

Sobotka ainda criticou os "socorristas" no mar Mediterrâneo que "cooperam com traficantes". "Precisamos impedir que esses socorristas entrem nas águas territoriais da Líbia e peguem os refugiados diretamente dos imigrantes", acrescentou.   

Essa não é a primeira vez que o governo austríaco ameaça fechar a fronteira com os italianos nos últimos anos, causando um crise entre as lideranças dos dois países. E a reação do governo de Roma não demorou e foi dura.   

Em uma entrevista à ANSA, o vice-ministro das Relações Exteriores da Itália, Mario Giro, afirmou que o país "não tem nenhuma intenção de mudar os acordos unilaterais" sobre a crise migratória, mas Viena precisa "baixar o tom" porque não se pode colocar as relações entre dois Estados em risco "por causa de polêmicas eleitorais".   

"Até quando durará essa campanha eleitoral austríaca? O ministro das Relações Exteriores, Sebastian Kurz, deve saber que não se pode continuamente colocar em crise as relações entre os Estados por polêmicas eleitorais. Melhor baixar o tom visto que já esclarecemos tudo com a Áustria. Não há nenhum aumento de imigrantes que transitam por Brennero e não são necessários esses gestos só com fins internos", disse Giro à ANSA.   

A fala do vice-chanceler refere-se ao fato de que a Áustria antecipou as eleições parlamentares para 15 de outubro por conta da falta de maioria do governo no Parlamento. No ano passado, o país teve eleições conturbadas, precisando fazer dois pleitos presidenciais para confirmar a vitória do presidente Alexander Van der Bellen.   

"Respeitamos a Áustria e não temos nenhuma intenção de tomar atitudes unilaterais até porque se quiséssemos, já tínhamos feito. Os austríacos podem ficar tranquilos, mas por favor, não ataquem nosso ótimo relacionamento com polêmicas inúteis", concluiu Giro. Atualmente, a Itália voltou a bater recordes na chegada dos imigrantes ilegais, mas a grande maioria deles fica em centros de acolhimento italianos, aguardando a análise de sua situação ou a realocação para outros países da União Europeia.   

De acordo com dados do Ministério do Interior da Itália, entre janeiro e 17 de julho deste ano, entraram no país 93.292 imigrantes ilegais contra 79.877 do ano passado. (ANSA)
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