Premier e general chegam a acordo para trégua na Líbia

PARIS, 25 JUL (ANSA) - Em um encontro na cidade francesa de La Celle-Saint-Cloud, nos arredores de Paris, o primeiro-ministro do governo de união nacional da Líbia, Fayez al Sarraj, e o general Khalifa Haftar, que controla territórios no leste do país, chegaram a um acordo de cessar-fogo e para a realização de eleições no primeiro semestre de 2018.   

O pacto representa uma importante vitória política para o presidente da França, Emmanuel Macron, dentro da União Europeia, já que é considerado um passo crucial para solucionar a crise migratória no mar Mediterrâneo Central.   

"Nos empenhamos em um cessar-fogo e a nos abster de qualquer recurso à luta armada em tudo aquilo que não tiver a ver exclusivamente com a luta contra o terrorismo", diz a declaração conjunta de Sarraj e Haftar, que apertaram as mãos antes da reunião, sob os olhos de Macron.   

"Hoje a causa da paz na Líbia fez um grande progresso. Quero lhes agradecer pelos esforços feitos", disse o presidente francês, chamando o tratado de "compromisso histórico". Os dois líderes antagonistas já haviam definido as bases do acordo em maio passado, nos Emirados Árabes, mas a assinatura só se deu em La Celle-Saint-Cloud.   

Apoiado pela Rússia e pelo Egito, Haftar vinha sendo pressionado por seus aliados a se sentar à mesa de negociações com Sarraj e para colocar fim às divisões na Líbia, fragmentada desde a derrubada de Muammar Kadafi, em 2011, com apoio da França.   

O primeiro-ministro chefia um governo de união nacional chancelado pelas Nações Unidas e fruto de um acordo assinado em dezembro de 2015, no Marrocos. Mas seu gabinete não é reconhecido por Haftar, que tem sua fortaleza em Tobruk, no leste do país, e representa as forças contrárias ao Islã político.   

O general comanda um conjunto de milícias chamado Exército Nacional Líbio, que hoje também é a principal força armada do país africano. "Sarraj e Haftar podem se tornar um símbolo da reconciliação e da paz", comemorou Macron, anunciando que a Líbia terá eleições "na próxima primavera", sob supervisão da ONU.   

A fragmentação do país, também protagonizada por milícias islâmicas inspiradas na Irmandade Muçulmana e grupos terroristas, abriu um vácuo de poder e fortaleceu traficantes de seres humanos que atuam no Mediterrâneo. Apenas em 2017, 93,4 mil migrantes forçados e refugiados fizeram a rota entre Líbia e Itália, um crescimento de 5,7% em relação ao mesmo período de 2016.   

Com o acordo entre Sarraj e Haftar, a UE torce para que Trípoli consiga criar uma força capaz de patrulhar seu litoral e evitar que essas pessoas cruzem o Mediterrâneo em barcos clandestinos.   

Na última segunda-feira (24), as autoridades líbias resgataram 3 mil indivíduos no mar e impediram a partida de outros 11 mil.   

Vitória de Macron - Em pouco mais de dois meses no poder, Macron conseguiu patrocinar um acordo que a Itália perseguia havia tempos, já que o país é o principal destino dos migrantes que partem da Líbia.   

Ainda assim, o presidente da França buscou ressaltar o papel de Roma nas negociações. "Quero agradecer particularmente à Itália, a meu amigo Paolo Gentiloni [primeiro-ministro], que trabalhou muito", disse Macron, garantindo que a nação vizinha faz parte da iniciativa para a estabilização da Líbia.   

Nesta quarta-feira (26), Sarraj estará em Roma para uma reunião com o premier italiano, cujo governo oferece recursos, equipamentos e treinamento para a Guarda Costeira do país africano. (ANSA)
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