Líder opositor prevê 'confrontos' com eleitos em Constituinte

CARACAS, 31 JUL (ANSA) - O presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Julio Borges, alertou o governo de Nicolás Maduro sobre risco de ter "confrontos violentos" em Caracas porque os parlamentares não reconhecem a eleição de 545 novos representantes durante as eleições da Constituinte.   

Em entrevista à emissora "Globovisión" nesta segunda-feira (31), Borges afirmou que os parlamentares não vão deixar seus locais no Parlamento e que não vê outro cenário senão o da violência na capital do país. "Precisamos fazer valer um direito fundamental, que é essa Assembleia, eleita por mais de 14 milhões de venezuelanos. É a única autoridade eleita e legítima no país. Vamos defender a lei e a Constituição", disse o presidente da Casa.   

Atualmente, a coalizão formada pela oposição sob a Mesa de Unidade Democrática (MUD) tem 112 assentos na Assembleia contra 52 do "chavismo". Eles foram eleitos em dezembro de 2015, nas últimas eleições consideradas "livres" no país. No entanto, em janeiro de 2016, através do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), Maduro tirou todos os poderes dos legisladores por considerar que a Casa estava "fora da lei".   

No entanto, o presidente afirma que os novos eleitos ontem (30) assumirão o cargo na quarta-feira (2), em um provável cenário ainda mais crítico do que o atual.   

Borges destacou ainda na entrevista que a situação está particularmente perigosa porque os "chavistas festejam, mas na realidade, eles tem medo porque sabem que perderam o apoio popular, o consenso internacional e a legitimidade".   

"A única coisa que sobrou ao governo é a força bruta e não há nada mais fraco e também perigoso que isso", acrescentou lembrando das "16 mortes" registradas durante a votação de ontem.   

Apesar do Ministério Público confirmar 10 mortes, a oposição acusa que houve no mínimo 16 mortes só neste domingo - incluindo adolescentes de 13, 15 e 17 anos. Desde o início dos protestos diários contra o governo no país, em 1º de abril, cerca de 125 pessoas morreram.   

A nova Assembleia terá o poder de reescrever a Constituição, em uma manobra que, segundo os opositores, quer apenas perpetuar Maduro no poder. (ANSA)
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