Jornal dos EUA define Veneza como 'Disneylândia com mar'

ROMA, 03 AGO (ANSA) - Palco de crescentes movimentos contra o turismo de massa, Veneza foi tema nesta quinta-feira (3) de um artigo do jornal norte-americano "The New York Times" que a define como uma "Disneylândia com mar" por causa do excesso de viajantes.   

Segundo o diário, a capital do Vêneto está "submersa" por turistas e apresenta "dificuldades" para seus moradores, muitos dos quais se mudaram para Mestre, a parte do município que fica em terra firme. "E grande parte dos que permaneceram fica bem longe da praça San Marco", afirma o "NYT", que cita depoimentos de venezianos.   

"Não podemos comprar presunto porque não tem mais charcutaria", lamenta Bruno, um dos habitantes ouvidos pelo jornal e cuja mãe compara Veneza à Disneylândia. Segundo ela, o crescente negócio dos B&Bs (bed & breakfast, um tipo de pousada muito comum na Europa) favorece o êxodo dos moradores, que preferem alugar suas casas no centro histórico para turistas.   

O artigo provocou reações imediatas entre os venezianos, apesar de eles reconhecerem os problemas causados pelo turismo de massa. "Atiram contra a cidade com ataques capciosos", disse Alberto Nardi, ex-presidente da Associação Praça San Marco.   

"Dizer que não existem problemas seria errado, mas generalizar ao máximo é um erro que não faz bem a quem deseja o bem desta cidade", acrescentou, acusando alguns venezianos de só criticarem, sem apresentar soluções para a convivência no município.   

Já Matteo Secchi, histórico líder de uma associação que luta pela proteção de Veneza, afirmou que a situação na cidade é "crítica" e deve ser destacada por jornais do mundo todo, mas ressaltou que é "inútil" fazer "alarmismo". "Para falar de Veneza, é preciso ter o devido conhecimento da cidade. Às vezes, parece que quem escreve está convencido de que se pode chegar na praça San Marco de carro", ironizou.   

Nas últimas semanas, a Prefeitura de Veneza vem adotando medidas para tentar melhorar a convivência entre turistas e moradores, incluindo a proibição de consumir bebidas alcoólicas na rua em determinados horários e o aumento das multas por violações do "decoro", como pular nos canais do município.   

Veneza é a terceira cidade da Itália que mais recebe turistas (10,2 milhões em 2015), atrás apenas da capital Roma (25 milhões) e de Milão (11,7 milhões). Após a Segunda Guerra Mundial, seu centro histórico tinha 175 mil habitantes; hoje são apenas 55 mil. (ANSA)
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