Análise/Conheça as ONGs que resgatam imigrantes na Itália

ROMA, 9 AGO (ANSA) - A decisão do governo italiano de criar um "código de conduta" para as ONGs que resgatam imigrantes no Mar Mediterrâneo abriu uma crise entre diversas entidades e Roma nas últimas semanas.   

O documento acabou "dividindo" ao meio o grupo daquelas que assinaram o acordo, Proactiva Open Arms, Save The Children, MOAS e Sea-Eye, e das que não assinaram, Médicos Sem Fronteiras (MSF), SOS Méditerranée, Sea-Watch e Jugend Rettet - esta última teve o barco apreendido pelos italianos.   

De acordo com dados da MSF, no primeiro semestre de 2017, as ONGs "foram responsáveis por 35% do total de operações no Mediterrâneo Central", a rota que leva deslocados da Líbia para os portos italianos.   

Dados oficiais do Ministério do Interior da Itália apontam que 96.845 pessoas chegaram aos portos italianos entre 1º de janeiro e 9 de agosto de 2017, em um número que aponta um leve queda de 3,47% na comparação com o mesmo período do ano passado.   

Já a Organização Internacional para as Migrações (OIM) informa que, até o dia 6 de agosto, 2.240 pessoas morreram ou desapareceram durante as travessias no Mar Mediterrâneo Central.   

Conheça quem são as ONGs e quantos deslocados elas já salvaram.   

- Save The Children: A maior organização internacional independente do mundo luta desde 1919 para melhorar a vida das crianças, atuando em cerca de 120 países. Desde 2016, está empenhada nas missões no Mediterrâneo com o navio Vos Hestia, que atua na busca e salvamento no mar, e informa que fará missões no local entre abril e novembro deste ano.   

- MOAS: A Migrant Offshore Aid Station (MOAS) foi fundada em 2014 pelos empresários ítalo-americanos Christopher e Regina Catrambone e tem origem em Malta. Nestes anos, salvou mais de 35 mil deslocados no Mediterrâneo com a embarcação Phoenix e utilizando drones.   

- Sea-Eye: Foi criada em 2015 quando um grupo de pessoas da cidade alemã de Ratisbona, guiado pelo empresário Michael Buschheuer, decidiu não mais querer assistir inertes as mortes de pessoas no Mediterrâneo. Os alemães, então, compraram um velho pesqueiro e o readaptaram para resgatar os deslocados. Ao todo, eles salvaram 5.568 pessoas em 2016.   

- Proactiva Open Arms: Associação espanhola criada em Barcelona, atua no Mediterrâneo desde 2016 com o navio Golfo Azzurro. Até hoje, contribuiu no salvamento de mais de 18 mil pessoas.   

- Médicos Sem Fronteiras (MSF): Atuando há mais de três anos nas operações de busca e assistência médica no Mediterrâneo com três barcos, socorreram diretamente 19.708 pessoas entre abril e novembro de 2016 e forneceram ajuda médica a 7.117 pessoas que foram transferidas para outras embarcações - inclusive do governo - para um desembarque seguro na Itália. Em 2017, a ONG já resgatou mais de 16 mil pessoas e informou que, mesmo não assinando o "código de conduta", respeita as regras já estabelecidas as leis internacionais e nacionais.   

- SOS Méditerranée: Associação humanitária independente ítalo-franco-alemã, atua com a embarcação Acquarius que pode abrigar até 500 pessoas. É financiada 99% por doações particulares e o MSF ajuda no pagamento do aluguel do barco.   

- Sea-Watch: ONG alemã que socorreu cerca de 20 mil pessoas em 2016. Os primeiros salvamentos foram feitos com um barco pesqueiro de segunda mão, comprado com as economias de um comerciante e quatro pequenos empresários alemães.   

- Jugend Rettet: Em 2016, salvou 6.526 pessoas com o barco Iuventa, que tem bandeira holandesa, e que foi sequestrado pelos procuradores de Trapani por favorecer à imigração clandestina. É um ONG formada por jovens de classe média alta de Berlim e que comprou sua embarcação após uma coleta de dinheiro online. O velho pesqueiro foi adaptado para receber pessoas.   

- Regras: O código de conduta rejeitado pelas quatro ONGS e assinado por outras quatro é formado por 13 compromissos, sendo que o principal deles proíbe as ONGs de entrarem nas águas territoriais líbias, a não ser em "situações de grave e iminente perigo".   

Também é vetado "facilitar" a partida de barcos clandestinos e atrasar a transmissão de sinais de identificação. As organizações ainda precisam provar sua capacidade técnica de efetuar resgates no mar (inclusive para conservar eventuais cadáveres); informar seu país de origem quando um salvamento acontece fora da área oficial de buscas; manter a Guarda Costeira da Itália atualizada sobre as operações de socorro; informar o governo sobre suas fontes de financiamento; e, "no limite do possível", recuperar as embarcações improvisadas nas quais as pessoas salvas viajavam.   

O descumprimento das normas do código de conduta pode levar à "adoção de medidas por parte das autoridades italianas contra os respectivos navios, no respeito da legislação internacional e nacional".   

Isso valerá mesmo para as ONGs que não assinaram o documento, como ficou claro na apreensão do barco Iuventa, da Jugend Rettet. (ANSA)
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