Brasil deve ganhar partido político voltado às favelas

BRASÍLIA, 10 AGO (ANSA) - A Frente Favela Brasil planeja apresentar-se nas eleições de 2018, para a qual pedirá seu reconhecimento como partido, baseada em uma plataforma que combina votos e "rebelião".   


Os líderes da nova legenda entregarão no dia 30 de agosto uma solicitação de registro ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília, segundo informações do jornal "O Globo". Enquanto isso, os ativistas da Frente Favela coletam assinaturas de apoio em comunidades de todo o país.   


Esses locais também contam com cartazes que destoam das imagens usadas na política tradicional, com um jovem negro de rosto coberto e roupa de imperador, ao lado da frase "Favelados, rebelem-se contra sua marginalização".   


Um dos fundadores da Frente Favela Brasil é o diretor de cinema Anderson Quack, que desenvolve um trabalho social nas cidades-satélites de Brasília, que historicamente sofrem com a pobreza e a desigualdade no entorno da rica capital federal.   


Os mais entusiasmados com a iniciativa acreditam que o partido pode ser um dos mais populares do país, caso consigam cativar o eleitorado das favelas brasileiras, que, segundo o Censo de 2010, abrigam mais de 11 milhões de pessoas, cerca de 5% da população nacional.   


É preciso levar em conta que o movimento nasce com mais força nas comunidades do Rio de Janeiro e de outras metrópoles do Brasil, mas esse nível de organização e ativismo não se repete homogeneamente em uma nação continental de 8,5 milhões de quilômetros quadrados.   


Outro aspecto a ser considerado é que os moradores das favelas têm preferências partidárias muito distintas, e nada indica que eles migrarão automaticamente para a nova frente. É provável que a legenda, caso obtenha o registro, se concentre nas disputas legislativas, de forma a ganhar força para as eleições seguintes.   


Segundo o partido, sua inspiração é a "luta pelo protagonismo e pelo reconhecimento da dignidade da pessoa negra, dos moradores de favelas, dos pobres do campo e das periferias do Brasil".   


(ANSA)
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