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Internacional

Entre extremos, Catar vira 'ator importante' no O. Médio (2)

25/08/2017 08h21

SÃO PAULO, 25 AGO (ANSA) - SEGUE - Al Jazeera: Um dos "instrumentos" mais fortes usados pelo Catar é a emissora televisiva "Al Jazeera", a mais vista no mundo árabe e que tem forte presença no mundo.E é justamente o canal de TV que é acusado pelos vizinhos de espalhar essa imagem positiva do país, ocultando os problemas ligados ao governo de Doha.   

Por conta do bloqueio, por exemplo, a maior parte das nações do boicote - e até mesmo Israel - tomaram medidas contrárias à emissora.   

"A maior parte dos jornalistas que trabalham na 'Al Jazeera' são extremamente profissionais. Eles tem um escritório grande na América, na Europa. Mas, há uma grande diferença no grupo: a versão em inglês e em árabe", explica Lajst.   

Segundo o cientista político, as programações são bastante diferentes e a versão em árabe inclui "discussões religiosas, sermões e, eventualmente, pessoas que falam no canal fazem discursos que estão incitando ódio e violência por motivos políticos".   

"Então, quando a gente fala que esses países dizem que a 'Al Jazeera' está incitando a violência, não necessariamente a pessoa que está nos Estados Unidos vai entender isso porque ela pode estar vendo a emissora em inglês e pensa 'eles não estão incitando a violência', mas a Al Jazeera em árabe está", afirma o diretor do IBI.   

Já Casarões vê a expansão da emissora como um dos principais pontos de crescimento internacional do país.   

"A 'Al Jazeera' é do fim dos anos 1990. Quando foi inaugurada, com muito investimento governamental inclusive, ela ganhou uma projeção. A televisão no mundo árabe, era a única maneira com que a população árabe tinha contato com determinadas notícias.   

Então, a 'Al Jazeera' acabou se tornando o que chamamos nas relações internacionais um grande instrumento de soft power, de poder brando do Catar", afirma o especialista.   

" E, claro, a 'Al Jazeera' se tornou um contencioso, uma disputa na região quando, por exemplo, começou a fazer denúncias sobre os governos vizinhos e a reação foi muito violenta. Por isso, ela já foi expulsa de vários países", acrescenta afirmando que a emissora acabou se tornando um "potencializador e distribuidor de ideias" de Doha.   

Para Nasser, no entanto, tanto o caso com a 'Al Jazeera' como em outros aspectos, tem a ver com a mudança na política externa.   

"Não se trata apenas de símbolos e de aparências, é claro. Não são apenas os museus, os grandes prêmios, a Copa do Mundo, as filiais das universidades americanas, ou o prestígio da 'Al Jazeera' que constituem o pecado do Catar. Para além dessas lantejoulas brilhantes, o Catar investiu em uma política externa voltada a fazer dele um jogador importante e, em grande medida, liberto das diretrizes ditadas pela Arábia Saudita e por outros", ressalta Nasser.   

- Irã e EUA: Outro ponto muito abordado pelos países que fizeram o "bloqueio" ao Catar é a proximidade do país com o Irã, visto como um rival histórico dos sauditas tanto nas questões econômicas como nas religiosas. E, recentemente, com a descoberta de uma grande campo de gás natural, o maior do mundo, entre as duas nações, houve uma maior aproximação entre os dois governos. E a crise com os vizinhos árabes acabou causando uma aceleração nesse processo de proximidade. Nesta quinta-feira (24), por exemplo, após 20 meses sem um embaixador catari em Teerã, Doha anunciou que enviaria novamente seu representante diplomático para o país. "Nas relações econômicas, alguns dos países impondo o isolamento do Catar, são melhores parceiros do Irã do que o Catar, especialmente os Emirados Árabes Unidos. Já no plano político, eles são todos adversários. Na medida em que o Catar foi muito ativo no apoio à oposição na Síria, ele estava oposto ao Irã tanto quanto os demais ou mesmo mais do que eles.   

Acontece, no entanto, que, vendo que a sua aposta fora vencida, o Catar parece ter adotado uma postura mais pragmática, que inclui o diálogo com o Irã", ressalta Nasser sobre essa questão.   

Para Lajst, é "um pouco antagônico que o Catar e o Irã estejam juntos, já que o Catar é sunita e o Irã é xiita".   

"Mas, o Catar atrapalha muito os interesses do grande poder sunita na região, que é a Arábia Saudita. Se o Catar dá asilo a grupos terroristas, ajudar grupos terroristas com o dinheiro do Catar, isso vai contra os interesses de todos os países da região, contra os governos dos países da região, principalmente de países considerados moderados", afirma Lajst.   

Para Casarões, todo esse bloqueio e as polêmicas foram também uma questão de "oportunidade". "A gente está falando em um momento em que os vizinhos, junto com o Egito, viram uma oportunidade de colocar uma pressão enorme no Catar para isolar o Irã e a Irmandade Muçulmana tendo em vista a própria agenda norte-americana para a região", destaca. O especialista lembra que o bloqueio surgiu logo após a primeira visita internacional do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que também provocou uma inversão na agenda internacional para a região.   

"Quando eu falo da conveniência do argumento é que a crise acabou explodindo em um momento muito específico, que é da chegada do Trump ao poder nos Estados Unidos porque ele tem uma agenda muito específica para o Oriente Médio, que é menos em prol da manutenção e da defesa da democracia, como aliás foi durante muito tempo", explica. Para Casarões, os antecessores George W. Bush e Barack Obama sempre pregaram que faziam uma guerra "para garantir a liberdade e a democracia" naquela região. Mas, quando o magnata venceu, "ele inverte o discurso".   

"Ele diz que os EUA 'não vão mais intervir no Oriente Médio para promover os nossos valores', até porque isso é caro, e isso não interessa diretamente o cidadão norte-americano. Mas, 'continuaremos lutando para combater o extremismo islâmico'. E aí o próprio Trump nomeia o extremismo islâmico do Irã, o extremismo islâmico do Estado Islâmico", acrescenta. CONTINUA
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