Após novas gravações, Janot ameaça rescindir delação da JBS

SÃO PAULO, 4 SET (ANSA) - O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, convocou a imprensa nesta segunda-feira (4) para um pronunciamento para informar que, em áudios captados na última semana entre dois colaboradores, há a citação do ex-procurador da República Marcello Miller.   


"Determinei hoje a abertura de investigação de omissão de informações sobre prática de crimes para a assinatura de delação premiada do caso da JBS. Áudios com conteúdo graves, eu diria gravíssimos, foram obtidos pelo Ministério Público", informou Janot.   


Segundo o procurador, há "informações robustas" que mostram uma atuação inadequada e que podem causar a revogação da delação de executivos da empresa JBS. O maior prejuízo, no entanto, seria a perda dos benefícios conseguidos pelos delatores do esquema.   


"Nessa dimensão, é a primeira vez que algo assim acontece", informou ainda.   


O áudio chegou até a Procuradoria na última quinta-feira (31) e, como o volume de informações era muito grande, foi feito um "regime de plantão" onde a equipe do Ministério Público ficou ouvindo todos os áudios.   


Ontem (3) pela manhã, uma das funcionárias ouviu um áudio que não tinha a ver com o "conjunto" das denúncias. Após análise, a equipe considerou algo "gravíssimo".   


"Não vou falar o estado, porque fica muito óbvio, mas tínhamos o áudio um, dois, três e quatro. Vamos dizer, o um, dois e quatro falavam sobre aquilo e um terceiro não tinha nada a ver com o caso", acrescentou Janot.   


"Os atos sugerem que houve um ato ilícito na Procuradoria e no Supremo Tribunal Federal", mas segundo Janot, todos terão o "direito de defesa" sobre o caso.   


Ainda segundo o procurador, mesmo se o acordo for rescindido, ele não invalida as provas até agora apresentadas.   


A delação da JBS citou dezenas de políticos de alto escalão, incluindo o presidente da República, Michel Temer. As denúncias e as provas causaram a abertura do primeiro inquérito contra o mandatário, que posteriormente foi rejeitado pela Câmara dos Deputados.   


Nota da PGR: Em nota após a coletiva, a PGR informou ainda que "o acordo previa prazo de 120 dias, a partir da homologação, para que os colaboradores reunissem e entregassem elementos de provas sobre os depoimentos prestados em abril perante a Procuradoria-Geral da República para que não fossem acusados de omissão".   


"Consta do vasto material entregue à PGR diversos áudios, um dos quais possui cerca de quatro horas de duração, aparentemente gravado em 17 de março deste ano, e traz uma conversa entre os colaboradores Joesley Batista e Ricardo Saud. Apesar de partes do diálogo trazerem meras elucubrações, sem qualquer respaldo fático, inclusive envolvendo o Supremo Tribunal Federal e a própria Procuradoria-Geral da República, há elementos que necessitam ser esclarecidos", diz ainda a entidade.   


Segundo o comunicado, um dos exemplo é uma conversa no qual os dois falam "sobre suposta atuação do então procurador da República Marcello Miller, dando a entender que ele estaria auxiliando na confecção de propostas de colaboração para serem fechadas com a Procuradoria-Geral da República. Tal conduta configuraria, em tese, crime e ato de improbidade administrativa". (ANSA)
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