Após acabar com Dreamers,empresas e políticos criticam Trump

WASHINGTON, 5 SET (ANSA) - O secretário de Justiça dos Estados Unidos, Jeff Sessions, anunciou nesta terça-feira (5) que o governo do presidente Donald Trump colocará fim no programa de proteção aos filhos de imigrantes ilegais, chamado de "Dreamers" no país.   

Segundo Sessions, o "Deferred Action foi Childhood Arrival" ("Ação Diferida para Chegadas na Infância", em tradução livre) será "revogado" por ser um programa "inconstitucional". Antes do anúncio, Trump usou sua conta no Twitter para enviar um recado para o Congresso, dizendo que ele "deve estar pronto para fazer seu trabalho - DACA". Pouco tempo depois, ele retuitou uma conta na rede social que o apoia, a "The Trump Train", em uma mensagem que dizia "não há erros, nós vamos por os interesses dos cidadãos americanos antes. Os homens e mulheres esquecidos não serão mais esquecidos".   

Estima-se que cerca de 800 mil jovens, que chegaram aos EUA ainda crianças e adolescentes, fiquem com seus futuros indefinidos pela suspensão do programa, que dava condições legais - e que eram renovadas a cada dois anos - para eles viverem no país.   

A medida aprovada por Barack Obama em 2012 não garante a residência ou a cidadania norte-americana, mas permite que esses jovens possam viver em uma certa tranquilidade nos dois anos de autorização para permanecer nos EUA.   

- Protestos: Assim que a notícia foi confirmada, muitas reações contrárias surgiram tanto de políticos, como de norte-americanos e de empresas. Em Nova York, dezenas de manifestantes foram para a frente da Trump Tower para protestar contra o cancelamento do "Dreamers". Alguns expoentes do Vale do Silício também se manifestaram e criticaram a medida. "É um dia triste para o país", disse o CEO do Facebook, Mark Zuckerberg. Já o líder do Google, Sundar Pichai, escreveu no Twitter que "os Dreamers são nossos vizinhos, nossos amigos e nossos colegas. Essa é a casa deles. O Congresso precisa agir rapidamente e protegê-los".   

O CEO da Apple, Tim Cook, disse estar "profundamente desconcertado" com o anúncio. "Da parte de centenas de funcionários da Apple que são Dreamers e de seus colegas, da parte dos milhões de norte-americanos que acreditam no poder dos sonhos, peçamos aos líderes de Washington para proteger os Dreamers de maneira que o seu futuro não possa ser colocado em risco novamente", disse Cook aos funcionários.   

O Spotify criou uma playlist "No moment for silence" para criticar a decisão de Trump, incluindo artistas que são imigrantes nos EUA ou que defendem os estrangeiros no país.   

Também vieram críticas de Wall Street. A Wells Fargo emitiu uma nota em que afirma que a decisão da administração Trump contra "os jovens imigrantes que chegaram na América ainda crianças, precisam ter a oportunidade de ficar". Já o CEO da JPMorgan, Jamie Dimon, destacou que quem chega nos EUA "para aprender, trabalhar duro e devolver o que conseguiram, precisamos permitir que fiquem". No mundo político, foram diversas as manifestações. O ex-vice-presidente Joe Biden usou o Twitter para se manifestar.   

"Trazidas pelos pais, essas crianças não tiveram escolha para chegar aqui. Agora, elas serão mandadas de volta para países que elas nem conhecem. Cruel. Não é a América", escreveu.   

Já o senador republicano John McCain publicou um texto em que afirma que "eliminar o DACA é a aproximação errada para a política migratória em um momento em que os dois lados precisam se unir para reformar nosso sistema migratório quebrado e proteger as fronteiras".   

"Eu acredito fortemente que as crianças que eram ilegais e que foram trazidas para esse país não tem nenhuma culpa e não deveriam ser forçadas a voltar para um país que não conhecem", escreveu o senador. (ANSA)
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