Papa se comove ao ouvir histórias de vítimas de guerrilha

VILLAVICENCIO, 8 SET (ANSA) - Em um dos momentos mais simbólicos de sua viagem à Colômbia, o papa Francisco ouviu o depoimento de quatro vítimas da guerra no país e se comoveu com os testemunhos dados nesta sexta-feira (8) na Parque Las Malocas de Villavicencio.   

O Pontífice se reuniu com mais de seis mil pessoas que tiveram suas vidas alteradas por conta dos mais de 50 anos de confrontos entre governo, as ex-Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e grupos paramilitares.   

Batizado de "Oração para a Reconciliação Nacional", o encontro envolveu tanto a parte religiosa como também os testemunhos de Juan Carlos, um ex-guerrilheiro das Farc, e Deisy, um ex-guerrilheira de um grupo paramilitar (os dois trabalham em atividades sociais de recuperação de jovens) Luz Dary, vítima de uma explosão de mina que causou graves problemas físicos e Pastora Mira, vítima da violência e que perdeu dois filhos assassinados por paramilitares.   

"Vocês me comoveram. São histórias de sofrimento e amargor, mas também, sobretudo, histórias de amor e perdão que nos falam sobre vida e esperança, de não deixar que o ódio, a vingança e a dor endureçam nossos corações", disse Francisco aos presentes.   

O líder católico se referiu a trechos de cada um dos depoimentos e reafirmou algumas das frases ditas por eles. Ao citar Mira, ele afirmou que ela tinha razão que "a violência gera outra violência, o ódio gera outro ódio, e a morte gera outra morte".   

"Precisamos parar com essa cadeia que parece infinita, e isso só é possível com o perdão e a reconciliação. É possível vencer o ódio, é possível vencer a morte, é possível começar de novo e dar vida a uma nova Colômbia", disse olhando para Mira.   

Já para os ex-guerrilheiros, o sucessor de Bento XVI afirmou que "todos, ao fim de tudo, de uma maneira ou de outra, são vítimas - inocentes ou culpadas -, mas todos são vítimas; todos são atingidos pela perda de humanidade que a violência e a morte trazem".   

- Discurso: Ao começar seu discuso, o papa Francisco falou sobre uma imagem de Crucifixo de Bojayá, levada para o evento e que lembra o massacre de Bojayá, quando 119 pessoas morreram, incluindo 45 anos, em um ataque das Farc.   

"Estamos reunidos aos pés do Crucifixo de Bojayá, que no dia 2 de maio de 2002 viu o massacre de dezenas de pessoas refugiadas na sua igreja. Essa imagem tem um forte valor simbólico e espiritual. Olhá-la nos faz contemplar não apenas o que aconteceu naquele dia, mas também tanta dor, tanta morte, e tanto sangue foi derramado na Colômbia das últimas décadas", disse aos presentes.   

Ao fazer um paralelo com a morte de Cristo, Jorge Mario Bergoglio lembrou de Jesus na cruz, "mutilado e ferido". "Não há mais força e seu corpo não existe mais, mas conserva o seu rosto e com isso olha e ama. Cristo destroçado e amputado, para nós, é ainda mais Cristo porque nos mostra mais uma vez que veio para sofrer por seu povo e com seu povo. Ele também nos ensina que o ódio não é a última palavra, que o amor é mais forte que a morte e a violência", destacou.   

Reconhecendo que é "difícil aceitar a mudança" de quem foi violentado, o Papa fez um novo apelo pela reconciliação do povo.   

"Colômbia, abra seu coração de povo de Deus e deixe-se reconciliar. Não temam a verdade nem a justiça. Queridos colombianos, não tenham medo de pedir e de oferecer perdão. Não façam resistência à reconciliação que vos aproxima, reencontrem-se como irmãos e superem as inimizadas. É hora de curar as feridas, de construir pontes e de limar as diferenças", pediu. (ANSA)
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