Em última missa na Colômbia, Papa faz novo apelo pela paz

CARTAGENA, 10 SET (ANSA) - Por Fausto Gasparroni - No último evento de sua viagem à Colômbia, a missa na área portuária de Contecar, em Cartagena, nesse domingo (10), foi ainda um evento para o papa Francisco fazer um novo apelo pela reconciliação nacional depois de décadas sanguinárias das guerrilhas.   

"Se a Colômbia quer uma paz estável e duradoura, deve fazer urgentemente um passo nessa direção, que é aquela do bem comum, da equidade, da justiça, do respeito à natureza humana e de suas exigências", disse aos milhares de fiéis.   

"Só se nos ajudarmos a desfazer os nós da violência, desataremos o complexo fio da meada dos confrontos. Foi pedido para fazer o passo do encontro com os irmãos, tendo a coragem de uma correção que não quer expulsar, mas integrar; em que é pedido ser, com caridade, firmes no que não é negociável. Definitivamente, é construir a paz", ressaltou ainda.   

Nesses dias, lembrou durante a homilia, "eu ouvi muitos testemunhos de pessoas que foram ao encontro de quem lhes fez mal. Feridas terríveis que pude ver em seus próprios corpos; perdas irreparáveis que ainda fazem chorar". E, todavia, "essas pessoas decidiram caminhar, deram um primeiro passo sobre uma estrada diferente daquelas já percorridas".   

Segundo Francisco, isso ocorre porque a Colômbia está procurando há décadas a sua paz e, "como ensina Jesus, não é suficiente que duas partes se aproximem, é preciso dialogar. Há a necessidade de inserir muitos atores neste ato de diálogo reparador dos pecados". Conforme o Pontífice, "nós aprendemos que esses caminhos de pacificação, da primazia da razão sobre a vingança, da delicada harmonia entre a política e o direito, não podem desviar os percursos das pessoas". Com tudo isso, "não é suficiente o desenho de quadros de normas e acordos institucionais entre grupos políticos ou econômicos de boa vontade". Para a "solução ao mal feito" serve "o encontro pessoal entre as partes" e sobretudo, para Francisco, no caminho da paz, o "autor principal, o sujeito histórico desse processo, é a gente e sua cultura, não uma classe, uma fração, um grupo, uma elite".   

Em outras palavras, explica, "não temos necessidade de um projeto de poucos endereçados a poucos, ou de uma minoria iluminada ou testemunhal que se apropria de um sentimento coletivo. Trata-se de um acordo para vivermos juntos, de um pacto social e cultural".   

De acordo com o líder católico, é preciso que "todos deem sua contribuição" para que a paz aconteça.   

A missa foi a última parte da viagem de cinco dias de Francisco pela Colômbia, que incluiu etapas em Bogotá, em Villavicencio e Medellín. (ANSA)
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