Joesley Batista e Ricardo Saud são transferidos para Brasília

SÃO PAULO, 11 SET (ANSA) - O empresário Joesley Batista, do grupo J&F, e o executivo da empresa Ricardo Saud deixaram nesta segunda-feira (11) a sede da Polícia Federal (PF) em São Paulo rumo ao Aeroporto de Congonhas, onde seguirão para Brasília.   


Os dois executivos estão presos desde às 14 horas locais deste domingo (10). Ao chegarem em Brasília, os dois devem primeiro ir à Superintendência da PF e, depois, ao Instituto Médico Legal (IML). Por pedido da defesa, o STF abriu uma exceção e determinou que o exame de corpo de delito dos presos seja realizado somente lá.   


As prisões temporárias ocorrem em cumprimento à ordem judicial expedida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin, que acolheu o pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot.   


Elas foram motivadas pela constatação de Janot de que houve omissão de informações por parte dos delatores, ao receber um áudio de quatro horas de uma conversa entre Joesley e Saud, que mencionavam o ex-procurador da República Marcelo Miller.   


Janot também fez um pedido de prisão temporária de Miller, mas Fachin negou ao dizer que não são "consistentes" os indícios de que ele tenha sido "cooptado" por organização criminosa.   


Em nota, a defesa de Miller afirmou que ele "repudia veementemente o conteúdo fantasioso e ofensivo das menções ao seu nome nas gravações divulgadas na imprensa e reitera que jamais fez jogo duplo ou agiu contra a lei", diz o texto.   


Com as prisões, o acordo de delação premiada firmado entre a JBS e a Procuradoria-Geral da República deve ser rescindido. Isto porque o termo de delação prevê que o acordo perderá efeito se, por exemplo, o colaborador mentiu ou omitiu, se sonegou ou destruiu provas.   


Por sua vez, Joesley Batista e Ricardo Saud reafirmaram que não mentiram nem omitiram informações no processo que levou ao acordo de colaboração premiada e que estão cumprindo o acordo.   


Na manhã desta segunda, a PF ainda cumpriu quatro mandados de busca e apreensão em imóveis relacionados a Joesley e Saud na capital paulista. Além disso, o advogado e diretor jurídico da JBS, Francisco Assis e Silva, também foi alvo dos mandados.   


A operação, batizada por "Bocca", refere-se a "Bocca della Verità", cuja característica é seu papel como detector de mentiras. "Desde a Idade Média, acredita-se que se alguém contar uma mentira com a mão na boca da escultura, ela se fecharia "mordendo" a mão do mentiroso", diz a nota da PF. As autoridades ainda aguardam a chegada dos malotes apreendidos durante a operação para partirem rumo à Brasília. Entre os materiais apreendidos nos endereços ligados aos executivos estão documentos e computadores. (ANSA)
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